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Motoqueiro

29 nov

1978, fui expulso do Seminário em Araraquara e voltei pra casa em São Vicente-SP com o rabo entre as pernas, tinha 14 anos (faço aniversário em novembro).

Meu pai, dono de duas imobiliárias (uma em Sampa outra em São Vicente) tinha um Chevette zero e minha mãe uma Brasília zero. Na garagem ainda havia um Dodge Charger R/T 1971 que só era usado pra viagens à Ponta Grossa-PR. Aliás, foi em Ponta Grossa que, dois anos antes Tpilotei pela primeira uma moto (uma Honda 125 1976 cor-de-abóbora d’um primo que trabalhava no Banco do Brasil – aquilo não me saiu da cabeça).

Voltando a 78, imaginem cair de cabeça na metade do primeiro semestre do primeiro colegial, uma escola longe de casa. Pedi ao meu pai que me comprasse uma “cinquentinha” da Honda (umas azuis comuns na época).

Meu pai foi taxativo: “-Moto não, se quiser ir prá escola pega o “Dojão””. Foi o que fiz até terminar o primeiro semestre e chegarem as férias de julho – e moto não me saía da cabeça.

Conheci um advogado amigo do meu pai, também dono de imobiliária. O cara tinha um loteamento e uma concessão de venda na Associação dos Funcionários da COSIPA, falei pra ele que queria trabalhar e ele me propôs emprego. Topei, estudava de manhã, chegava em casa, tomava um banho e me mandava prá COSIPA em Cubatão, ficava lá das duas às sete/oito da noite. Vendi 42 terrenos em seis meses.

No dia do meu aniversário em novembro de 1978 cheguei no “patrão” e disse: “-Quero fechar minhas comissões, vou comprar uma Yamaha RS-125 1977 que está à venda perto de casa”. Dois dias depois catei a grana, comprei a moto, catei uns documentos do meu pai, botei a moto no nome dele e, cheguei em casa, dei um puta susto no véio quando disse a ele que a moto estava no nome dele porque eu era, como se diz hoje, “di menor” Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

Quero fazer uma correção àquele Post que fala das primeiras Yamaha no Brasil, as RS-125 tinham motor/relação/suspensão importados, o resto (tanque/quadro/parte elétrica) eram fabricadas aqui. As RS eram oferecidas em duas cores: vermelha e verde.

Bom, daí pra frente comecei a trabalhar prô meu pai. Recebia alugueis, levava grana, levava processos pra cima e pra baixo, tudo o que um “motoboy” faz hoje, em seis meses troquei a RS 77 por uma RS 78 e, em agosto de 1979 eu tirei minha primeira moto “zero KM” na concessionária Yamaha Motonara em Santos, era uma RX-125 1979 “marrom Asteca”.

Naquele tempo na Baixada Santista haviam Motoqueiros.

Haviam poucas motos, haviam duas “turmas” a saber:

A do Gonzaga (em Santos) onde se reuniam os caras com CB-750 Four/”Harleys”/Moto Guzzi/Yamahas 650 etc. a maioria era de Santos ou Guarujá, gente com muuiiiita grana.

A turma “pobre” da qual eu fazia parte se reunia em frente ao Restaurante Leão de Ouro no fim da Praia da Biquinha em São Vicente (perto de onde hoje é um Supermercado – naquele tempo o Supermercado se chamava “Morita”), com Yamaha RS-125, Motovi-125 (umas motos importadas da Itália que, quando se tirava o adesivo colado em Manaus aparecia o nome “Harley Davidson” no tanque (motos horríveis por sinal, tive dois colegas que morreram com elas, foram enterrados no Cemitério da Areia Branca com diferença de três meses entre um e outro acidentado), haviam muitas “CG’s-125 (a maioria cor-de abóbora ou vermelha), uma “FS-125” (que nada mais era que um Kit de transformação de CG para “trail” (era horrível também, os Kits eram amarelos, constavam de tanque, laterais, relação corrente/coroa/pinhão e para-lamas que deixavam a moto pesada, uma verdadeira bosta, você colocava o Kit e a moto realmente ficava “Fora de Strada”) Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

Nossa turma era “porreta”. Tinha o Jorge e o primo dele (dois portugueses da Ilha da Madeira, um aprendiz de relojoeiro e outro trabalhava num açougue), tinha o Lameira (funcionário da COSIPA, haviam vários que trabalhavam no Cais de Santos, tinha um que o irmão era Policial Rodoviário, tinha o “Tinho” que era mecânico de motocicleta (quando ele morreu foi comoção na turma, o pessoal parou de ir pra Itariri/Pedro de Toledo), uma turma fixa de, em média 32 caras, na época quase fundamos um Clube da “Turma do Leão” (até fizemos um Hino: “Chegou, a Turma do Leão. Todo mundo bebe mas ninguém fica de fogo. Laiá laiá laiá…” .

Religiosamente toda sexta-feira sem chuva a gente se encontrava em frente ao Leão de Ouro e se mandava prô Perequê no Guarujá. Alguns acompanhados outros tentando “pegar” alguma mina pra levar. Volta e meia aparecia alguém sem gasolina, havia sempre uma garrafa e mangueira/alguém com tanque cheio que compartilhava a gasolina. Volta e meia também um falava assim “-Tô sem grana”  e algum outro cobria as despesas do cara naquela noite/madrugada. Juro prôceis que tenho saudade daquele tempo, daquela união.

A Baixada Santista naquele tempo apresentava algumas peculiaridades que me ensinaram a respeitar muito onde se enfia a roda.

Entre São Vicente e a Ponta da Praia em Santos (onde fica a Balsa para o Guarujá) ainda havia trilhos de bonde (tanto na “ida” quanto na “volta”). Havia também trechos até longos com paralelepípedos de granito expostos principalmente depois do “Canal 4”.

Pois bem, os trilhos dos bondes (já naquela época fora de uso) apresentavam um desnível em até 10 centímetros em relação ao piso. Isso ocasionou tombos fenomenais (eu mesmo parei de contar no 32 (trigésimo segundo tombo). Se você andasse pela esquerda (onde ficavam os trilhos) tinha que correr, se andasse pela direita ficava atrás de ônibus. Meu segredo era “levantar” a roda da frente quando percebia desnível e, andar entre o meio-fio e o trilho da esquerda no maior cacete (principalmente quando pegava chuva na volta do Perequê).

Ah, ninguém usava capacete, isso só era obrigatório em viagens. Kkkkkkkkkkkkkkkkkk

Este que vos fala era o único menor de idade da turma. De certa feita na volta do Perequê um Policial Militar do trânsito estava de plantão na balsa entre o Guarujá e a Ponta da Praia e, resolveu checar a documentação de todo mundo. Naquela confusão passei o documento da minha moto pra outro cara que passou minha moto, eu dei uma de “pedestre” e saímos dando rizada do outro lado.

Não foram poucas vezes que, depois de encher a cara de Antártica e o estômago de iscas de peixe/camarão ou queijo a provolone, com todos acompanhados, na volta, encostava-mos as motos onde hoje é aquele hotel do Silvio Santos e, com as “minas” tomáva-mos um bom banho de mar com tudo que é direito (naquele tempo não havia Motel) e, ainda por cima, o máximo que um cara poderia “pegar” era sífilis (que nunca soube de alguém pegar) e, gonorreia (soube de dois casos, caras que cataram umas minas no Porto mas, isso é outra história) Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk! Saía todo mundo de lá com areia de monte, parecendo um “cuscuz” quando o dia amanhecia. Não precisa dizer que sábado tava todo mundo de ressaca.

Naquele tempo não havia AIDS.

Volta e meia a gente “combinava” uma viagem mais longa até Ilhabela, se não me engano foram quatro ou cinco, tenho poucas lembranças dessas viagens dado o teor alcoólico e azia perene dos “macarrões” feitos com água salgada. Sei que em três ou quatro viagens fui bem acompanhado com uma maluca na garupa, lembro vagamente de ter tirado uma moto do meio do mato e, ajudado a trocar um cilindro d’uma “Harley-Motovi” (incrível como a turma se cotizando levava peças e ferramentas nessas viagens “longas” – sim, “longas” mesmo, o trecho entre Bertioga e Ilhabela naquele tempo era pelas praias, não havia a BR-101 de hoje) Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

Interessante é que ninguém da turma nunca falou em maconha, cocaína nem existia, crack então, nem se fala. Nós sempre fomos “doidões” com Antártica e pinga (eu só fui me viciar em cigarro Marhlboro/Hollywood quando servi o quartel, era pra “espantar pernilongos” no princípio, acabei viciado em cigarro, hoje fumo um/dois maços por dia.

Só um da turma encarou viagem de São Vicente à Iguape-SP (onde minha família tem casa), eles não gostavam de pegar a BR-116 por conta dos policiais de Miracatu-SP (federais) não gostarem de Motoqueiros na época.  De minha parte eu conhecia muitos desses Federais, meu pai passava por lá uma vez por semana e nunca fui parado (grudava na traseira d’um caminhão à direita, apagava os faróis, quando estava em cima do posto policial pegava o acostamento Kkkkkkkkkkkkkkkkk).

Foram várias viagens à Iguape de madrugada… .

De certa feita estava em Iguape, foi pouco antes de servir o Exército, estava com a RX-125 “tinindo” de revisada, foi se não me engano em janeiro ou fevereiro de 1980, encontrei três caras de Pariquera-Açú-SP que vieram “por dentro” e queriam voltar pela praia da Ilha Comprida (hoje é Município, naquele tempo era parte de Iguape) no dia seguinte.

Pra quem não conhece de Geografia nem História, antigamente havia uma balsa de Iguape/Ilha Comprida (hoje há uma ponte) e, outra balsa entre Ilha Comprida/Cananéia.

Chegamos à Ilha Comprida, viramos à esquerda, fomos até o fim. Anotamos a quilometragem do hodômetro pra ver se a Ilha tinha mesmo os 73 quilômetros, voltamos.

Foi a maior cagada que fizemos! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Voltamos “no cacete” entre a água e a areia, ainda era de dia, pegamos a maré cheia no meio da volta até a Balsa de Cananéia, tivemos que esperar umas quatro horas parados com as motos prá cima do areião sem nada nem porra nenhuma perto a não ser barcos de pesca velhos encalhados (um perigo) que fui guardando na mente.

Pra quem nunca andou de moto numa praia deserta de 73 Km (setenta e três quilômetros), darei outra dica: ANDE SEMPRE ONDE O MAR SE ESVAI ! Se você vê a água jorrando no pneu dianteiro é aí que você tem que ir, faça as curvas de acordo com a água, não entre mais que 5 metros à esquerda nem à direita!  À esquerda você pegará água que o levará à África (se estiver indo prô Sul), à direita você pegará barranco dos córregos que são drenados para o Oceano (e aí, véio, não adianta ter aro 21, você bate de frente num barranco desses e “voa” por cima do guidão – tua moto vai prô saco).

A maré voltou a baixar e resolvemos “tocar” até a balsa da Ilha pra Cananéia na esperança de chegar antes das seis da tarde quando saía a última balsa.

Na balsa vi que meu tanque estava menos da metade, fiz as contas: de Cananéia a Pariquera e de lá a Iguape precisaria abastecer (e naquela época não havia postos abertos nos fins-de-semana). Meus colegas estavam “no osso”, só dava pra chegar até na casa deles. Achei por bem voltar sozinho.

Pessoal, foi uma das viagens mais lindas que fiz! Hoje em dia creio que não dá mais pra fazer!

Saí da Balsa de Cananéia morto de fome, cheguei na beira da praia e encontrei uma casa de pescador, um barzinho fechado. Bati na porta e perguntei se dava pra fazer uma porção de peixe frito, o que tivesse sobrado do almoço eu comeria porque, tava de moto e voltaria pra Iguape de noite.

O dono do buteco mandou a mulher fritar alguma coisa, tomei umas duas doses de boa pinga com coca-cola quente, bati um papo com o cara, começou a escurecer, a maré baixar, me despedi e ele me chamou de doido.

Mais ou menos uns 25Km de distância, perto do primeiro barco encalhado começou a surgir a Lua.

Aquela PUTA LUA saindo do mar parecia que engoliria Santos inteira e, eu em cima da RX-125 com bateria de 6 volts e um farol tacanho pra tanta luz!

Apaguei o farol alto da moto e vi que não adiantava andar com o farol baixo, botei no alto, dei umas porradas no farol pra ficar alto no chão e vim curtindo a paisagem lembrando tudo quanto era música sobre a Lua que lembrava (de Chico Buarque/Caetano/Sambas etc.)

Mais uns quilômetros e vários barcos desviados, já com a Lua em cima da sombrancelha desci a mão no acelerador, consegui pegar a balsa da Ilha Comprida prá Iguape mais ou menos às onze da noite e varei na cachaça até umas duas da manhã naquela madrugada contando os pormenores da viagem prô pessoal que não foi.

Depois que servi o Exército a turma não mais existia, morei em Sampa e casei a primeira vez, tive uma CG-125 (história triste, um padre morreu em cima dela, comprei baratinho, reformei, viagei uma vez à Iguape e na volta furtaram ela). Voltei pra Baixada, fiz Faculdade de Direito até o quarto ano,larguei,  tive nesse tempo duas Yamahas DT-180, uma 1993.

Essa “93” foi um “causo” a se pensar: Foi amor a primeira vista!

Bati o olho na moto e comprei! Estava com 17.000 Km rodada e sem o “Lubramax” (acho que era esse o nome da bombinha que jogava óleo 2T no motor) sem funcionar. Troquei a relação, troquei os anéis do pistão, troquei as pastilhas de freio/óleo do câmbio/limpei o filtro, troquei reparo do carburador e a grana acabou mas! Ela tinha Odômetro parcial !. Foi minha felicidade! Eu botava óleo 2T direto no tanque! Foda-se aquela bombinha!

Com essa moto de certa feita fui de São Vicente à Ponta Grossa em oito horas e meia de viagem!

Fui, voltei, não furou um pneu, não aconteceu nada com a máquina (se bem que algumas “primas” (primas mesmo, de carne e osso) ficaram meio estragadas por lá Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk)!

Outra experiência vou contar pra vocês:

Na ida, entre Curitiba e Ponta Grossa, já chegando em Ponta Grossa há um baixadão legal, você enxerga do lado direito Vila Velha, um ponto turístico de Ponta Grossa.

Pois bem, justo nesse trecho eu peguei uma puta chuva de granizo, eram bolas de gelo d’uns quatro ou cinco centímetros de diâmetro e, eu descendo com a porra da DT a uns 85/100 por hora, parecia que eu estava andando em cima de bolas de gude ou chapa de aço ou ainda, atropelando um cachorro (quem já passou por isso sabe). A coisa foi de lascar, só ouvia “pok, pok, pok” no capacete e na viseira.

Moto dois tempos não tem freio nem marcha nessa hora.

A solução instintiva foi maneirar o acelerador, reduzir a marcha e nem triscar nos freios.

Bom, tô vivo pra contar, sinal que a dica é boa Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!

Vendi a 83 com lágrimas nos olhos mas, precisava d’uma máquina com tanque maior, comprei uma 85 com 4.500 Km, uma branca com aquelas faixas vermelhas de competição da Yamaha (justamente o que há nas Teneré 250 2013).

Essa “85” também foi furtada em Santos, na frente da Faculdade. O quadro dela foi recuperado por uma lancha de passeio embaixo da ponte da Imigrantes entre São Vicente e Praia Grande, só achei o quadro e vendi pr’um cara que tinha uma “83” e transformou ela em “85”.

Creio que já falei demais depois dessas últimas mal traçadas linhas acompanhadas de oito garrafas de Skór. Hoje em dia moro e resido em Anápolis-GO, conto com 50 anos e estou fazendo as contas pra comprar uma Teneré-250 branca com aquela faixa vermelha diagonal das Yamaha “puro sangue” da década de 70 do século passado (aliás, muito parecida com a DT-180 1985 (também branca) que tive e me deu muita felicidade. Um adendo: nunca tomei um tombo com as DT’s – PENSEM BEM NISSO !).

Das seis motos que tive, cinco foram Yamaha. Acompanhei a evolução da marca no Brasil.

A única Honda que tive, sinceramente, só me deu problemas (e olhe que era uma CG 83). Tenho muitas reservas.

Não compraria Suzuky nem Kawasady, elitistas e pouco duráveis, Honda é popular, tem mercado mas a qualidade nunca foi primazia (alguém aí vê uma CB-350 a 750 Four funcionando)?

Sim, sou fã das Yamaha e das Moto Guzzi (a Stelvio – leiam algo sobre ela, se surpreenderão).

Se me desculpem a encheção de saco.

Fico por aqui.

Alexandre. :-)

Foi numa “penada” só. Não corrigi nem editei, se me perdoem os erros. :-)

 
3 Comentários

Publicado por em novembro 29, 2012 em Uncategorized

 

3 Respostas para “Motoqueiro

  1. Jose Mario HRP

    dezembro 12, 2012 at 5:59 am

     
  2. Patriarca da Paciência

    dezembro 1, 2012 at 9:52 am

    Olá, caro Proftel,

    escrever a própria história é como tentar se reencontrar.

    Ao longo dos anos, vamos incorporando e perdendo muito daquilo que somos.

    Em algum momento, paramos e perguntamos, o que sou atualmente? Quem fui? Quem me tornarei?

    É e dúvida filosófica do velho Heráclito, “tudo flui”!.

    É isso aí, caro amigo, e a nós resta lambermos as feridas e continarmos andando!

     
    • Proftel

      dezembro 1, 2012 at 11:29 am

      Patriarca da Paciência:

      Concordo contigo.

      Principalmente quando a gente faz 50 anos e vê na TV que a expectativa de vida é de 70 Kkkkkkkk.

      A gente pensa assim: “-Pô! Isso é pra quem não bebe e não fuma…” e daí tira mentalmente dez anos da estatística Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

      Já que vai morrer em dez anos, compre uma motocicleta e curta bem o que resta até “empacotar” Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

      Esses dias estava conversando com um estagiário lá na Procuradoria, o cara é motoqueiro. Papo vai, papo vem, eu abri o Google e mostrei uma Moto Guzzi Stelvio, o cara estalou os olhos. Depois disso mostrei esse texto acima prô cara, ele ficou pasmo daí me perguntou minha idade.

      Quando falei que tinha cincoenta anos ele não acreditou. Kkkkkkkkkkkkkkkkkk!

      Te juro, foi uma surpresa (prô cara, claro kkkkk) e, olha, esse estagiário não é viado, o cara foi sincero, vi nos olhos (essa é outra capacidade que os cinquenta anos habilita).

      Há um lado “ruim” de chegar nessa idade: Não engolimos “sapo” facilmente (principalmente no meu caso que sou funcionário público). Por vezes um deslise verbal do interlocutor desencadeia uma séria situação que, na maioria das vezes faz o cara sair com o “rabo entre as pernas”. No fundo até acho “bão passado”, aquele interlocutor nunca mais me encherá o saco. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

      Você deve estar pensando que o ataque é uma defesa, é sim. Se você se deixar “montar” dificilmente conseguirá tirar a cangalha daí, melhor dar logo uma porrada certeira e deixar o “pau comer”. Nesses casos tenho sempre o “Kissi”* em mente. Kkkkkkkkkkkkkkkkkk.

      Bicho, fico por aqui, creio que estou voltando ao normal.

      Ah, Duda está muito bem, fará oito anos em 17 de fevereiro, Dalva continua trabalhando do mesmo jeitim.

      Bração aí.

      *”Kissi” = Kissifôda

       

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