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Patrulhas digitais se multiplicam na internet

15 ago

HRP

REDES SOCIAIS

Patrulhas digitais se multiplicam na internet

Por Carlos Castilho em 14/08/2011 na edição 654

Reproduzido do blog Código Aberto, 13/8/2011

A internet está perdendo cada vez mais o seu ar idílico para se aproximar cada vez mais da dura realidade do quotidiano das sociedades da era industrial. Bastou o mundo tomar conhecimento de que os manifestantes londrinos usaram intensivamente o sistema de mensagens eletrônicas dos telefones Blackberry para que a polícia britânica contra-atacasse com o Flickr, para identificar os participantes dos protestos que convulsionaram a capital inglesa.

O Blackberry foi largamente usado pelos jovens manifestantes porque é um sistema criptografado e que oferece mais segurança no tráfego de mensagens entre telefones fabricados pela empresa canadense RIM. O Blackberry tornou-se famoso por ser usado por executivos, mas depois caiu no gosto da garotada porque cria redes e é grátis para quem tem um telefone desta marca. Foi com ele que os protestos em Londres foram coordenados, surpreendendo a polícia britânica que ficou totalmente desorientada diante da rapidez com que os manifestantes mudavam de planos e de estratégias.

A resposta policial veio quando a Scotland Yard resolveu levar a repressão para o ambiente virtual ao postar no site Flickr fotografias de manifestantes e pedindo para que as pessoas os identificassem para fins de captura. É uma das primeiras vezes em que a prática do denuncismo e patrulhamento pessoal é levada para a internet de forma oficial, usando as redes sociais.

Processos sociais

Em junho passado, no Canadá, surgiu uma amostra das consequências das novas milícias cibernéticas quando sites sociais como Facebook e Twitter publicaram fotografias de suspeitos de participação nos conflitos de rua e depredações de lojas após um jogo de hóquei no gelo, o esporte mais popular do país. Surgiu então uma verdadeira caça às bruxas com postagens anônimas e acusações generalizadas, onde muitos espectadores da partida e transeuntes inocentes acabaram sob suspeita.

Dezenas de pessoas receberam ameaças – até de morte – por parte de donos de lojas saqueadas após o jogo, sem que houvesse provas concretas de participação nos distúrbios. Páginas na web se multiplicaram na área de Vancouver com acusações mútuas e ameaças recíprocas, num espetáculo de violência virtual descontrolada que levou o jornal Vancouver Sun a uma amarga confissão de culpa por ter divulgado endereços web relacionados às denúncias. A polícia canadense assistiu impotente ao salve-se quem puder virtual.

Como a internet é um território que muitos consideram sem lei, os vigilantes e milicianos online tendem a se multiplicar rapidamente. É quase impossível impor uma regulamentação estrita sobre o que pode e não pode ser feito na web. Isto coloca a sociedade diante da necessidade de buscar fórmulas inovadoras cujos resultados não são rápidos e muito menos infalíveis. É um novo desafio que começa a se delinear nesta era digital que apenas estamos começando a conhecer em detalhes.

Culpar a internet é o mesmo que responsabilizar o mensageiro por uma notícia ruim. Não resolve nada e só confunde ainda mais a questão. Impor regras draconianas também não vai impedir o surgimento de patrulhas digitais, porque o problema é de natureza social. A ausência de leis na internet apenas evidencia uma situação que é anterior à rede e que só poderá ser resolvida por processos sociais, entre os quais a autorregulação deverá jogar um papel transcendente.

***

[Carlos Castilho é jornalista e professor universitário]

 
7 Comentários

Publicado por em agosto 15, 2011 em Uncategorized

 

7 Respostas para “Patrulhas digitais se multiplicam na internet

  1. surfando na jaca

    agosto 15, 2011 at 12:31 pm

    Carecão de Jesus, sou pela liberdade, cada um use a melância que desejar. Inclusive isso me lembrou de um filme vagabundo que assisti por engano com uma antiga namorada. O Cláudio Cavalcanti, se não me engano, dava um créu numa melância, enquanto nós nos olhávamos sem saber o que dizer, já que era nosso primeiro encontro. Sobre o boiolismo dialéctico preciso de muita inspiração, mas estou assoberbado (gosto sempre de usar essa palavra no trabalho, causa efeito de erudição e a pessoa nem me pergunta a razão. Mesmo que não esteja fazendo nada, a palavra assoberbado já significa um esforço de trabalho justificável.) com minhas tarefas cotidianas. Ou seja, o bicho tá pegano! Não quero ser substituído por um gringo desses desempregado que estão migrando para a bolsa da Dilminha. Que mundo mais globalizado, tchê! Mas não se preocupe, que o que queria escrever sobre o assunto é que é coisa normal o boiolismo. E se for doença, só não é mais antiga que Adão e Eva, mesmo assim, ninguém sabe se Adão era tão convicto, já que só tinha a Eva para escolher. E na realidade, existem muitos tipos de boiolismo dialéctico: o transformista, o hermafrodita, o operado, o bissexual que segue a lei de Gérson, o boiolismo formal e conservador que deseja continuar barbado e odeia mulheres, o boiolismo desengaiolado, o engaiolado como o bunker do Guilherme Firula e o boiolismo enrustido, que causa muitos problemas familiares e sociais, como é o caso do Bolsonaro. Mas veja que o fenômeno é antigo. Os gregos por exemplo, ferozes guerreiros como os atenienses, desprezavam as mulheres e gostavam de se encoxarem, numa prática estranha de sexo e até difícil de imaginar, mas que vcs. podem tentar entender chamando o vizinho ou alguém próximo, mas é bom afastar a mobília antes, que isso deve ser complicado sem um tratado grego sobre o assunto. Por isso, o boiolismo nas forças armadas nada mais é do que um preconceito, já que se trata de longa tradição. Até mesmo os mais militaristas, como os nazistas foram grandes adeptos do boiolismo enrustido ou assanhado: Ernst Röhm, o chefe da SA e Göering levava jeito. Assim, podemos dizer que existe uma grande proximidade entre o nazismo,o militarismo e o boiolismo. Afinal quem gosta de viver cercado por homens e sua catinga insuportável? Mas é misticismo o que algumas lideranças gays defendem: que todo ser humano é gay ou que todo ser homem inteligente desliza no quiabo. Na realidade, os gays foram sempre minorias em todas as sociedades e em todas eles existem e existirão. Não registro tampouco esse boiolismo acentuado entre os prêmios Nobel. Einstein por exemplo era pegador, embora sempre estivesse sempre desligado de tudo, afora suas equações. Poderiam dizer que se trata de um distúrbio do capitalismo, segundo os mais ortodoxos do materialismo histórico. Mas nas tribos indígenas, distantes do capitalismo, os antropólogos verificaram que também a presença do boiolismo, mas sempre como minoritário, já que uma função importante do sexo é a procriação. Foi com base nela que o preconceito se instalou em muitas religiões, como a judáica-católica. Mas tudo isso não passa de uma confusão e ignorância. O boiolismo é inerente ao ser humano e deve ser respeitado na liberdade que cada um faz com o que a natureza lhe deu, desde que não queira usar o que nao lhe pertence e não lhe deram.
    Abs.

     
    • surfando na jaca

      agosto 15, 2011 at 1:29 pm

      E faria um adendo: o boiolismo é uma questão racial? Tempos atrás, um historiador e militante incondicional do baitolismo acusou o Zumbi, ídolo máximo da luta racial no Brasil, de ser conhecido no reduto por suequinha. Essa é a questão, os ufanistas da prática às vezes se exaltam na defesa da causa. O movimento negro quase linchou o tal historiador, o que foi mais um exemplo de boiolismo enrustido. Um intelectual negro, estudioso do quibundo e das quibundas, desmascarou a barafunda. Havia sido ignorância do historiador que não era versado nessas línguas que o Pai Angola domina. Suequinha, o apelido do Zumbi, não tinha nada a ver com a mulherada fácil que aqui aportava para rodar bolsinha, mas significava o mesmo que Fantasma na língua do gibi já conhecido, ou seja, o fantasma que anda ou coisa assim. Isso tudo não elimina a existência de boiolismo de todos os tipos entre negros, brancos, amarelos, vermelhões, comunistas, nazistas, bolsonaros etc. Afinal é coisa ainda pouco explicada, cerebral e hormonal, e não pode ser encarado como doença. Isso seria o mesmo que classificar um talento qualquer como doença. Dizem também que todo artista sensível é chegado ao boiolismo, no entanto o maior gênio da pintura do século XX, só andava de cuecas para não perder tempo entre uma pintura e uma bimbada tradicional, entre sexos opostos.
      Creio que resumi tudo que tinha para escrever sobre esse assunto colorido.

       
      • surfando na jaca

        agosto 15, 2011 at 2:23 pm

        Respondendo ao Fred sobre o preconceito com o boiolismo, digo e afirmo que só não é enrustido quem não se irrita com o boiolismo. Pelo materialismo dialético e histórico (em Cuba j;a descobriram isso e se atualizaram), o boiolismo simplemsnte existe, é um fato histórico. E só as mulheres podem ser homofóbicas, sem entrar na questão do sapatismo dialéctico. Só aqueles prejudicados com o boiolismo podem se queixar sem ser boiolistas enrustidos, isso é dialetico. Pois todo homem deveria gostar e apoiar o boiolismo, pela lei da oferta e da procura sobraria mais mulher. Assim o sapatismo também só pode aplaudir o boiolismo alastrante. Simples assim, a dialética explica facilmente esses problemas.

         
  2. Proftel

    agosto 15, 2011 at 11:01 am

    Não há como se bloquear a Rede completamente. O governo chinês tenta mas há recursos para furar até bloqueio governamental.
    A única forma é desligar tudo (mesmo assim, com equipamento plugado diretamente no satélite há como conectar de qualquer ponto na superfície do planeta).

    🙂

     
  3. surfando na jaca

    agosto 15, 2011 at 10:36 am

    Acho mesmo interessante esse negócio de rede social. Serve para tudo quanto é propósito. Tem nazista, tem esquerda, bandido e tem polícia. O engraçado é que o pessoal fornece dados pessoais, fotos etc para quem quiser ver. A função é aparecer, deixar de ser um anônimo na massa. Tem gente demais nesse mundico de meu Deus. As pessoas querem uma melância no pescoço, precisam ser notadas, ser reparadas. Queremos ser parte do espetáculo da vida. Nada melhor para um bandido ou polícia, tem a ficha toda lá. Eu gosto mesmo é do anonimato. O anonimato nos livra dos chatos e quem sabe da polícia e do ladrão.

     
    • Jesus era Comunista

      agosto 15, 2011 at 11:25 am

      Cada vez mais sábio.

      Mas só para os famosos e ladrões, não tenho medo de botar minha cara a tapa.
      Sei lá, entrar com nick name e nunca se identificar, acho que não consigo. Sou muito burro para isso. Uso esse aí para chocar, e não é melancia não, é pra ver se a turma sai do virtual. Parece até que Matrix nada mais é que a vida real. Real? Sei não.

      Surf véio, cadê a Dialética da Boiolice desenfreada? Se você não colocar, eu já estou prtocurando uma.

      Joga lá no open que eu tiro de lá e abro um post. Amanhã eu vou abrir novo Open.

       
  4. Jesus era Comunista

    agosto 15, 2011 at 8:58 am

    HRP

    Realmente é uma nova utilização da internet.
    A Internet cada vez mais vai mostrando as incríveis utilidades que pode ter.
    Em relação aos acontecimentos de Londres, para mim ficou claro que as manifestações foram um grito de angustia de uma parte da população desassistida e discriminada.
    Produto de uma sociedade irreal, virtual, cujo objetivo, cujo único valor referencial para o sucesso individual, é o ter desenfreado.
    Aquele que mais tem é o mais competente.
    Mas é um valor que leva ao caos, porque para alcançar este objetivo grande parte da população fica a beira ou na miséria, que explode em manifestações como essa.

     

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