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Estudos mostram importância da participação de tropas brasileiras na Segunda Guerra

05 nov

Sugestão do HRP

3 de novembro de 2011, em Exército BrasileiroFEBHistória, por Guilherme Poggio

Uma piada corrente no país, pouco antes de o Brasil entrar na Segunda Guerra Mundial, era que Hitler teria dito ser mais fácil ver uma cobra fumando do que os brasileiros conseguirem enviar tropas para a batalha. Quando, por não ter sido possível encontrar o número ideal de soldados necessários para compor um corpo expedicionário, o governo rebatizou o grupo para Força Expedicionária Brasileira (FEB) dizia-se que o Brasil não iria mais para a guerra porque havia “tirado o corpo fora”. Segundo novas pesquisas, indesejada pelas forças aliadas e pelos militares brasileiros, produto de uma negociação pragmática do Estado Novo, em busca de maior projeção global, a FEB foi à guerra e, ao retornar, ainda amargou o desprezo nacional e a censura militar sobre sua história.  “Carecemos de conhecimento sobre o papel dos expedicionários na guerra, o que resulta nas ideias simplórias e absolutas sobre o seu desempenho: heróis ou trapalhões. Para as novas gerações, a participação brasileira na guerra parece tão distante quanto a Independência”, afirma o historiador César Campiani Maximiano, da PUC-SP, autor de Barbudos, sujos e fatigados (Grua Livros, 448 páginas, R$ 59). O estudo revela como os pracinhas incomodaram os militares do chamado “Exército de Caxias”, a ponto de terem suas memórias reprimidas, e forneceram munição para os movimentos dos direitos civis dos negros americanos, por ser a única tropa de combate que não promoveu a segregação racial em suas fileiras.

A FEB foi composta por 25 mil jovens brasileiros, transformados em soldados-cidadãos para combater as forças do Eixo na campanha da Itália, entre 1944 e 1945, a única força combatente da América Latina na Europa. “Com a convocação para a FEB, mais de 20 mil famílias foram diretamente afetadas pela guerra”, diz o pesquisador. A proposta de sua criação surgiu em meados de 1943 como um grandioso projeto governamental, que pretendia colher resultados estratégicos, modernizar o Exército brasileiro e adquirir experiência necessária para lutar contra inimigos internos e externos, imaginários ou não, segundo os militares.

“A FEB foi o núcleo de um projeto político que deveria fortalecer as Forças Armadas e dar ao Brasil uma posição de importância global como aliado dos Estados Unidos. O problema foi fazer os americanos pensarem o mesmo”, explica Letícia Pinheiro, professora do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio. “No auge de seu esforço de guerra, os Aliados não queriam um parceiro que precisava ser vestido, alimentado, treinado e municiado, como o Brasil, e tentou-se desestimular as pretensões brasileiras. Mas o governo de Vargas insistiu no envio de uma força expedicionária para melhorar sua posição internacional na mesa de negociações do pós-guerra”, afirma o historiador Francisco César Ferraz, professor da Universidade Estadual de Londrina. As Forças Armadas, porém, não estavam preparadas para organizar uma expedição e os poucos oficiais com experiência de combate tinham lutado pela última vez em 1932. “A instrução do Exército era baseada na doutrina militar francesa de 1914, já ultrapassada, uma abordagem científica da guerra que, na Itália, se chocaria com uma realidade de incertezas, de necessidade de improvisação e de rápida tomada de decisões pelos oficiais”, diz Campiani.

“Tinha-se a percepção de que a fanfarronice encenada em campanhas nas coxilhas ou nos tiroteios contra estudantes paulistas destreinados seria suficiente para enfrentar o Exército alemão.” No ataque a Monte Castelo, por exemplo, o comandante brasileiro, general Zenóbio da Costa, dispensou o ataque prévio da artilharia sobre posições alemães dizendo: “Não precisa! Os meus meninos tomam aquela m. no grito!” (Como citado por César em seu livro, Barbudos, sujos e fatigados). “Quando os jovens foram convocados para a guerra, inaugurou-se uma nova organização para o Exército: a de cidadãos que eram convertidos em soldados para lutar pela pátria”, observa Ferraz. Mas não foi fácil. Os convocados depararam com a tradição francesa dos militares brasileiros. “Os oficiais eram muito ríspidos com seus subordinados e os praças recebiam prisões disciplinares pelos motivos mais insignificantes. A alimentação era de péssima qualidade e os uniformes vistosos dos oficiais contrastavam com o fardamento dos soldados, feitos de tecido barato que se rasgava com facilidade”, afirma Ferraz. Além disso, legiões de conscritos das classes mais altas logo trataram de arrumar “pistolões” que lhes garantissem a exclusão da FEB. O mesmo valeu para uma quantidade considerável de oficiais do Exército regular, que arrumaram meios escusos de fugir da obrigação. Para piorar, o exame de saúde seletivo era precário e, em muitos casos, deixou no Brasil convocados em condições de saúde satisfatórias para levar outros com problemas graves, que precisaram ser revolvidos da Itália em meio ao combate. Há mesmo o caso de um tenente que foi à guerra com olho de vidro. O principal motivo de exclusão, no entanto, era “dentadura insuficiente”.

Subnutrido – Mas não se sustenta o mito do “pracinha subnutrido”. “A FEB tinha mais a feição das colônias de imigrantes do Sul, dos bairros cariocas e paulistas e das cidades mineiras do que as alegorias cantadas pelos correspondentes que criaram a ideia de que ‘caboclinhos franzinos e cheios de ginga’ seriam, por natureza, superiores aos obtusos Übermenschen tedescos”, observa César. “Poucos soldados, porém, faziam ideia dos motivos que os haviam levado a combater alemães, o que preocupava os comandos pela ausência de motivação adequada de luta”, diz o pesquisador. A favor dos pracinhas foi a exigência americana de se adotar a doutrina de combate do Exército americano pela FEB, apesar de os manuais de instrução terem chegado em inglês. Os resultados futuros, no entanto, seriam positivos. “Para os soldados incorporados às forças aliadas, na Itália, a interação com combatentes americanos trouxe uma mudança drástica de atitude. Pela primeira vez soldados brasileiros estavam recebendo o mesmo tratamento de seus superiores, ao contrário da rígida disciplina das casernas nacionais. Não há veterano da FEB que não tenha ficado impressionado com a atenção que os americanos dispensavam aos convocados”, afirma César. Na guerra, a enorme variedade de equipamento disponível para a FEB incomodou muitos oficiais brasileiros que não podiam conceber a distribuição de artigos de qualidade superior para praças. Isso explicaria a demora, muitas vezes fatal, na distribuição para os pracinhas dos uniformes de inverno, que ficaram guardados nos armazéns militares quando eram fundamentais para suportar as temperaturas de 25 graus negativos. Depois a história oficial decidiu propagar a versão do “jogo de cintura” brasileiro: ao contrário dos americanos, os expedicionários não seriam soldados dependentes de bugigangas tecnológicas para derrotar o inverno, bastando-lhes a “criatividade intrínseca aos brasileiros”, nota César.

Autocrático – “O contato com os cidadãos-soldados de outros países e as necessidades da guerra mostraram aos expedicionários um novo modelo de exército, menos autocrático, uma cultura militar diferente da vivenciada no ‘Exército de Caxias’, no qual a superioridade hierárquica e suas emanações resultavam da tiranização dos praças às vontades e ordens nem sempre confiáveis dos oficiais”, nota Ferraz. Surgia o “Exército da FEB”. Uma de suas marcas era não segregar racialmente seus soldados, o que não significava a ausência de racismo individual. “A irrestrita camaradagem entre brasileiros de diversas etnias chamou a atenção de correspondentes dos jornais americanos que eram ligados aos movimentos dos direitos civis. Havia nos EUA a chamada campanha do double V, a vitória no front da guerra e no dos direitos civis em casa. Já que soldados negros estavam arriscando suas vidas em combates, a campanha pregava ser inadmissível que eles não desfrutassem de direitos de cidadania em seu país”, observa César. Um jornalista americano, fascinado ao avistar brasileiros, brancos e negros, juntos num café, pediu a um grupo de pracinhas que definisse o seu Exército. “Só existe um Exército brasileiro e ele é composto de brasileiros”, foi a resposta. Num encontro entre soldados brasileiros e americanos, os últimos perguntaram aos febianos se os “negri brasiliani sono buoni”. O brasileiro respondeu que eram todos excelentes companheiros, ao que os americanos retrucaram: “Negri americani non buoni”. “Nada chocou mais os soldados brasileiros do que essas mostras de racismo. É certo que as notícias sobre a FEB revigoraram o questionamento do sistema de segregação da sociedade americana e deram um impulso adicional ao movimento negro dos EUA”, diz César. Antes de um desfile de tropas, Zenóbio da Costa teria emitido uma determinação de isolar ou retirar os expedicionários negros das colunas, ordem que foi amplamente ignorada pelos oficiais da FEB.

O “Exército da FEB”, por todas essas razões, não agradava aos líderes do “Exército de Caxias”, que fizeram procedimentos de desmobilização apressados no retorno ao Brasil com o término da guerra. A imprensa propagava a FEB como símbolo das “tropas de democracia”, criando assim grande expectativa para o retorno dos expedicionários. “Durante muito tempo acreditou-se que Vargas temia a volta dos soldados, que poderiam apressar o fim do seu regime. Mas as maiores desconfianças partiram das principais autoridades militares brasileiras, os generais Dutra e Goes Monteiro, e de setores políticos que teriam a perder com a livre expressão política dos febianos”, fala Ferraz. Foi estabelecido um prazo limite de oito dias para o uso de uniformes da FEB e os pracinhas foram proibidos, ainda na Itália, de emitir comentários sobre a guerra sem autorização do Ministério da Guerra.

Liberal  – “Havia temores políticos: a ameaça que representava para o ‘Exército de Caxias’ esse novo tipo de força militar, mais profissional, liberal e democrático; o medo de que os oficiais febianos pudessem se tornar o fiel da balança político-eleitoral e fossem cooptados pelos comunistas; acima de tudo, temia-se que os expedicionários, entre os quais Vargas tinha grande popularidade, pudessem apoiá-lo e empolgar a população para soluçõesdiferentes daquelas do pacto conservador das elites políticas para a sucessão de Vargas”, explica Ferraz. Um exemplo desse medo foi o veto à distribuição de medalhas para todos os soldados pelos americanos. Afinal, poderia ser “fonte de vexação” para os militares de carreira que haviam ficado no Brasil e teriam que medir forças políticas e profissionais com militares moldados em combate. “Havia uma flagrante má vontade para com a FEB por autoridade do governo e muitos militares temiam ser preteridos nas futuras promoções da carreira pelos oficiais e praças expedicionários que podiam exibir experiência de guerra”, diz Ferraz.

Muitos febianos viram, com amargura, que essa experiência, única na América do Sul, não iria ser aproveitada para moldar um novo Exército, sendo, em vez disso, destacados para guarnições distantes. O grosso do contingente ainda deparou com o desemprego, pois muitos patrões, obrigados a readmitir seus empregados mobilizados, logo os demitiam alegando desajuste, neuroses ou incompetência profissional. “As dificuldades de conseguir um emprego foram potencializadas pelo fato de a maior parte dos expedicionários ter sido recrutada na idade de aprendizagem de uma profissão”, lembra Ferraz. Os veteranos não conseguiam tampouco entender por que eram proibidos de falar sobre suas experiências de combate para civis e para a imprensa. “Era preciso passar a impressão de que fora a sua formação, não o duro aprendizado dos combates, que possibilitou aos brasileiros vencer um inimigo forte, uma questão de prestígio numa sociedade em que o Exército era o principal ator político. Os militares não podiam admitir limitações e falhas”, observa Ferraz. Sem poder de barganha com autoridades do governo, muitas das quais eram oficiais graduados durante a ditadura militar e haviam fugido à convocação à guerra, os veteranos se calaram para poder sobreviver. Por uma confusão ideológica, ironia do destino, a imagem dos ex-combatentes foi associada aos militares golpistas, o que questionou ainda mais a memória da FEB. “Apenas em 1988, com a nova Constituição, os veteranos conquistaram o direito de uma pensão especial. Mas, dos 25 mil, pouco menos de 10 mil estavam vivos quando o reconhecimento foi aprovado”, diz Ferraz. A pergunta “você sabe de onde eu venho?”, da Canção do expedicionário, teima em ficar sem resposta.

FONTE: publicado pela Revista FAPESP em novembro de 2010

Fonte:

http://www.forte.jor.br/2011/11/03/estudos-mostram-importancia-da-participacao-de-tropas-brasileiras-na-segunda-guerra/

 
10 Comentários

Publicado por em novembro 5, 2011 em Uncategorized

 

10 Respostas para “Estudos mostram importância da participação de tropas brasileiras na Segunda Guerra

  1. surfando na jaca

    novembro 5, 2011 at 3:12 pm

    O Fred anda muito ranzinza. Brigou com o Patriarca e comigo por ter feito uma brincadeira. E nem aceita desculpas. Deve ser sinal de insolação. Vou dar um rolé e desejo um bom sábado para todos, aos ranzinzas e aos telúricos integrados ao universo do bem.

     
    • Proftel

      novembro 5, 2011 at 6:09 pm

      Surf:

      Abri um “Open” aí em cima, numa dessas ele cai na real.

      Não é por aí, não se abandona uma nau desse tamanho assim.

      :-/

       
  2. Jose Mario HRP

    novembro 5, 2011 at 1:53 pm

    Voce sabe de onde eu venho?
    Venho do meu país , Brasil, não poderia ser mais sortudo!

     
    • Proftel

      novembro 5, 2011 at 8:24 pm

      HRP:

      Sei decor:

      🙂

       
  3. surfando na jaca

    novembro 5, 2011 at 1:40 pm

    Maravilha de artigo. Pouco sei sobre o assunto. Sobre a classe média em retração nos EUA, bom artigo do Paul Krugman, cuja coluna me é leitura obrigatória:
    A desigualdade econômica está de volta às manchetes, graças em grande parte ao movimento Occupy Wall Street, mas também por causa de uma assistência do Departamento de Orçamento do Congresso. E sabem o que isso significa? Que chegou a hora de desmascarar os grandes ocultadores da verdade!
    Quem quer que tenha acompanhado essa questão sabe o que eu quero dizer. Toda vez que há uma ameaça de que seja revelado que as disparidades de renda são cada vez maiores, um grupo confiável de defensores da desigualdade procura ocultar os fatos. Institutos de pesquisa apresentam relatórios alegando que a desigualdade não está de fato em alta, ou que essa não é uma questão importante. Especialistas tentam colocar uma fachada mais benigna em frente a esse fenômeno, alegando que não se trata de fato de um conflito entre os ricos e o resto da população, mas sim entre os que têm escolaridade e os ignorantes.
    Portanto, é preciso que se saiba que todas essas alegações são basicamente tentativas de ocultar a dura realidade: os norte-americanos vivem em uma sociedade na qual o dinheiro encontra-se cada vez mais concentrado nas mãos de poucas pessoas, e na qual essa concentração de renda e de riqueza ameaça fazer com que a democracia nos Estados Unidos se torne apenas um rótulo sem nenhum significado real.
    O departamento do orçamento expôs parte dessa realidade terrível em um relatório recente, que documentou um declínio drástico da parcela de renda total que é destinada aos norte-americanos de rendimento baixo e médio. Nós ainda gostamos de achar que somos um país de classe média. Mas, considerando que 80% dos domicílios recebem atualmente menos do que a metade da renda total do país, essa ideia não corresponde à realidade.
    Como resposta, os suspeitos atuais apresentaram alguns argumentos familiares: os dados estão incorretos (não estão); os ricos representam um grupo de indivíduos em constante mudança (mentira); e assim por diante. Atualmente o argumento mais popular parece ser, no entanto, a alegação de que nós podemos até não ser uma sociedade de classe média, mas somos ainda uma sociedade de classe média alta, na qual uma ampla classe de trabalhadores de alto nível educacional, que possuem as qualificações para competir no mundo moderno, está se saindo muito bem.
    A história é bonita, e bem menos perturbadora do que o quadro de uma nação na qual um grupo muito menor de indivíduos ricos está se tornando cada vez mais dominante. Mas não se trata de uma história verdadeira.
    Os trabalhadores com diploma universitário estão, de fato, se saindo melhor do que aqueles que não cursaram o terceiro grau, e a lacuna entre eles está de forma geral aumentando com o passar do tempo. Mas os norte-americanos de alto nível de escolaridade não estão de forma alguma imunes à estagnação de salário e à crescente insegurança econômica. Os ganhos salariais para a maioria dos trabalhadores com diploma universitário têm sido medíocres (e inexistentes desde 2000), e nem mesmo aqueles com qualificação ainda mais alta podem mais esperar conseguir empregos com bons benefícios. E um fato notável é que esses trabalhadores com diploma universitário básico, mas que não têm pós-graduação, contam com menor possibilidade de obter cobertura de seguro saúde vinculada ao emprego do que os trabalhadores em 1979 que tinham apenas o segundo grau.
    Sendo assim, quem está embolsando com os grandes lucros? Uma minoria rica muito pequena.
    O relatório do departamento do orçamento nos mostra que essencialmente toda a redistribuição de renda de baixo para cima, que teve origem na parcela de 80% da população que tem menos dinheiro, foi destinada ao grupo do 1% de norte-americanos mais ricos. Os seja, os manifestantes que dizem representar os interesses dos 99% acertaram na mosca, e os especialistas que lhes asseguram solenemente que tudo diz respeito de fato ao nível educacional, e não aos lucros de uma pequena elite, estão completamente equivocados.
    Se os manifestantes estiverem cometendo algum erro quanto à estimativa, eles estarão errando por subestimarem o número de pessoas que estão sendo subtraídas no processo de divisão de riquezas. O relatório recente do departamento do orçamento não faz uma análise detalhada do grupo do 1% mais rico, mas um relatório anterior, que só cobre o período até 2005, mostrou que quase dois terços da parcela de riqueza crescente dos 1% mais ricos na verdade foram parar na verdade nos bolsos de 0,1% indivíduos mais ricos desse grupo – o um milésimo de norte-americanos mais ricos, que viram as suas rendas aumentarem em mais de 400% de 1979 a 2005.
    E quem faz parte desse grupo de 0,1% mais ricos? Seriam eles heroicos empresários criadores de empregos? Não, em sua maioria eles são executivos de corporações. Pesquisas recentes revelam que cerca de 60% dos 0,1% mais ricos são executivos de companhias não financeiras ou indivíduos que ganham o seu dinheiro com finanças, ou seja, via de regra, o pessoal de Wall Street. Acrescentemos a este grupo os advogados e os integrantes do setor imobiliário e teremos mais de 70% dessa fatia de um milésimo de sortudos.
    Mas por que essa concentração crescente de riqueza em tão poucas mãos tem importância? Parte da resposta é que a desigualdade crescente significa que a maioria das famílias não recebe a sua fatia do crescimento econômico. Além disso, assim que um indivíduo percebe o quanto os ricos ficaram mais ricos, o argumento de que impostos e salários mais altos deveriam fazer parte de qualquer acordo de longo prazo referente ao orçamento se torna muito mais convincente.
    A resposta mais abrangente, no entanto, é que a concentração intensa de renda é incompatível com uma democracia real. Será que alguém poderia negar com seriedade que o nosso sistema político encontra-se distorcido pela influência do grande capital e que essa distorção está se agravando à medida que a riqueza de uns poucos fica cada vez maior?
    Alguns especialistas estão tentando afirmar que as preocupações quanto à desigualdade crescente não passam de bobagem. Mas a verdade é que a própria natureza da nossa sociedade encontra-se ameaçada.
    Tradução: UOL

     
  4. Proftel

    novembro 5, 2011 at 11:23 am

    HRP:

    Meus olhos encheram de lágrima, valeu a sugestão.

    🙂

     
    • Jose Mario HRP

      novembro 5, 2011 at 1:50 pm

      Alex, tentei prestar uma homenagem a vários caras que conheci e que estiveram lá!
      Homens bons e decentes que foram a europa por puro bom mocismo tentando fazer parte daqueles que queriam um mundo melhor.
      Que corajosos!

       
      • Proftel

        novembro 5, 2011 at 5:16 pm

        HRP:

        Também conheci vários lá, moradores e residentes no Catiapoã, gente boa e destemida, peitavam “malas” com Luguer na mão ou pistolas .45 .

        Talvez seja por isso que, até hoje, o bairro seja decente.

        🙂

         

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