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Krokodil:

03 dez

Olhares Oleg furtivamente em torno dele e, confiante de que ninguém está assistindo, desliza para dentro da entrada de um bloco da era soviética em decomposição de apartamentos, onde Sasha está esperando por ele. Abrigado na cozinha sujo de um dos apartamentos, eles esvaziar o conteúdo de um saco azul que Oleg transportadora trouxe com ele – analgésicos, iodo, fluido de isqueiro, óleo de limpeza industrial, e uma série de frascos, seringas e utensílios de cozinha.

Meia hora mais tarde, depois de muita ebulição, destilação, mistura e agitação, o que resta é um gunge cor de caramelo realizada no final de uma seringa, e o cheiro acre de iodo queimada no ar. Sasha corrige uma agulha suja para a seringa e procura por uma veia em seu braço machucado. Depois de algum tempo, ele encontra um lugar apropriado, e mãos a seringa para Oleg, dizendo-lhe para injetar o líquido. Ele fecha os olhos, e leva o hit.

A Rússia tem mais usuários de heroína do que qualquer outro país do mundo – até dois milhões, segundo estimativas não oficiais. Para a maioria, sua sorte é uma vida de crime, passagens pela prisão, a contração provável de HIV e hepatite C, e uma morte precoce. Como os esforços para deter o fluxo de heroína afegã para a Rússia trazer algum sucesso limitado, eo preço de rua da droga vai para cima, para aqueles viciados que não conseguem pagar suas hit seguinte, um espectro ainda mais aterrorizante levantou sua cabeça.

A home-made droga que Oleg e Sasha injetar é conhecido como krokodil, ou “crocodilo”. É desomorphine, um opiáceo sintético muitas vezes mais potente que a heroína que é criado a partir de uma complexa cadeia de reações químicas e mistura, que os viciados executar desde os tempos da memória várias vezes ao dia. Enquanto os custos de heroína a partir de £ 20 a £ 60 por dose, desomorphine pode ser “cozinhado” de comprimidos de codeína baseado dor de cabeça que custa £ 2 por pacote, e ingredientes de uso doméstico disponíveis mais barato do mercado.

É uma droga para os pobres, e seus efeitos são horríveis. Foi dado o seu nome de réptil, porque seus ingredientes venenosos rapidamente transformar a pele escamosa. Pior segue. Oleg e Sasha ainda não usou por muito tempo, mas Oleg tem podre feridas na parte de trás do pescoço.

“Se você perder a veia, isso é um abscesso de imediato”, diz Sasha. Essencialmente, eles estão injetando veneno diretamente em sua carne. Um de seus amigos, em um bloco de apartamentos vizinhos, é mais para baixo da linha.

“Ela não irá para o hospital, ela só mantém injetáveis. Sua carne está caindo e ela mal pode se mover mais”, diz Sasha. Fotos de viciados em fase final de krokodil estão perturbando ao extremo. Carne vai cinza e cascas afastado para deixar os ossos expostos. Pessoas literalmente apodrecer até a morte.

Viciados em heroína russa descoberto pela primeira vez como fazer krokodil cerca de quatro anos atrás, e tem havido um aumento constante do consumo, com um pico repentino nos últimos meses. “Nos últimos cinco anos, as vendas de codeína baseado em comprimidos têm crescido por dezenas de vezes”, diz Viktor Ivanov, chefe do Controle de Drogas da Rússia Agência. “É bastante óbvio que não é porque todo mundo tem de repente desenvolveu dores de cabeça.”

Vício em heroína mata 30.000 pessoas por ano na Rússia – um terço das mortes globais da droga – mas agora há o problema adicional de krokodil. Ivanov lembrou uma recente visita a um centro de tratamento da toxicodependência na Sibéria Ocidental. “Disseram-me que há dois anos, quase todos os seus usuários de drogas usado heroína”, disse o czar das drogas. “Agora, mais da metade deles estão no desomorphine”.

Ele estima que, globalmente, cerca de 5 por cento dos usuários de drogas russos estão no krokodil e outros home-made drogas, que funciona em cerca de 100.000 pessoas. É uma epidemia enorme, escondida – pior nas partes realmente isolado da Rússia, onde o abastecimento de heroína são desiguais – mas palpável, mesmo em cidades como Tver.

Tem uma população de meio milhão, e é um par de horas de trem de Moscou, a caminho de São Petersburgo. Seu centro da cidade, sentou-se no Rio Volga, está alinhada com bonita, era czarista edifícios, mas os subúrbios são miseráveis. As pessoas se sentam em bancos de madeira rachada em uma erva daninha infestado de “parque”, gulping latas de Jaguar, uma bebida energética alcoólicas. No fundo, há filas de ruínas blocos de apartamentos. As lojas e restaurantes de Moscou são um mundo de distância, para um deleite, as pessoas tomam o ônibus para o McDonald pela estação de trem.

No centro principal da cidade de tratamento da toxicodependência, fala Artyom Yegorov da devastação que krokodil está causando. “Desomorphine faz com que os níveis mais elevados de dependência, e é o mais difícil de curar”, diz o jovem médico, sentado em uma sala de tratamento na clínica desalinhado, abaixo uma foto de Hugh Laurie como Dr. House.

“Com a retirada de heroína, os principais sintomas duram de cinco a 10 dias. Depois disso, ainda há um grande perigo de recaída, mas a dor física será ido. Com krokodil, a dor pode durar até um mês, e é insuportável. Eles tem de ser injectado com tranquilizantes extremamente forte apenas para mantê-los de passar para fora a partir da dor. ”

Dr Yegorov diz que os usuários krokodil são instantaneamente identificáveis ​​por causa de seu cheiro. “É que o cheiro de iodo que infunde todas as suas roupas”, diz ele. “Não há maneira de lavá-lo para fora, tudo que você pode fazer é queimar a roupa. Qualquer plano que tem sido usado como uma casa de cozinha krokodil é melhor esquecido como um lugar para morar. Você nunca fará aquele cheiro fora do apartamento . ”

Viciados em Tver dizem que nunca tem qualquer problema de comprar o ingrediente chave para krokodil – comprimidos de codeína, que são vendidos sem receita médica. “Uma vez eu estava tentando comprar quatro packs, ea mulher me disse que só poderia vender dois a qualquer pessoa”, lembra um, com uma risada. “Então, eu comprei dois pacotes, em seguida, voltou cinco minutos depois e comprei mais dois. Fora isso, nunca se recusam a vender para nós, mesmo sabendo o que vamos fazer com ele.” A solução, para muitos, é óbvio: proibir a venda de comprimidos de codeína, ou pelo menos torná-los de receita médica. Mas, apesar de as autoridades estar ciente do problema por mais de um ano, nada foi feito.

Presidente Dmitry Medvedev pediu para sites que explicam como fazer krokodil que ser fechado, mas ele não ordenou a proibição das pílulas. No mês passado, um porta-voz do ministério da saúde disse que havia planos para fazer a codeína baseado em comprimidos disponíveis apenas mediante receita médica, mas que era impossível introduzir a medida rapidamente. Os opositores afirmam lobby por empresas farmacêuticas causou a inação.

“Há um ano dissemos que precisamos introduzir prescrições”, diz o Sr. Ivanov. “Estes comprimidos não custam muito, mas as margens de lucro são altas. Algumas farmácias perfazer 25 por cento de seus lucros da venda destes comprimidos. Não é do interesse de empresas farmacêuticas e farmácias-se a acabar com isso, de modo que o governo precisa usar seu poder para regulamentar a sua venda. ”

Além krokodil, há relatos de usuários de drogas injetáveis ​​mistura artificial demais, ea droga mais recentes rua é tropicamida. Usado como colírio por oftalmologistas para dilatar as pupilas dos olhos durante os exames, o Dr. Yegorov diz que os pacientes não têm nenhum problema começ a preensão de cápsulas do mesmo por cerca de £ 2 por frasco. Injetada, a droga tem graves efeitos psiquiátricos e traz sentimentos suicidas.

“Os viciados estão sendo vendidos por drogas normais as mulheres russas que trabalham em farmácias, que sabem exatamente o que vai ser usado para”, disse Yevgeny Roizman, um ativista anti-drogas que foi um dos primeiros a falar publicamente sobre o assunto no início deste krokodil ano. “Vendê-los aos meninos da mesma idade que seus próprios filhos. Russos estão matando russos”.

Zhenya, em silêncio falado e usando óculos escuros, concorda em contar sua história, enquanto eu sento no banco de trás de seu carro em um lay-por nos arredores de Tver. Ele conseguiu largar o vício, depois de passar semanas em uma clínica de desintoxicação, experimentando sintomas de abstinência terríveis que incluíram convulsões, uma temperatura de 40 graus e vômitos. Ele perdeu 14 dentes após as gengivas apodrecidas, e contraído hepatite C.

Mas seu destino é essencialmente uma fuga milagrosa – afinal, ele ainda está vivo. Zhenya é de uma cidade pequena fora de Tver, e era um viciado em heroína durante uma década antes de se mudar para krokodil um ano atrás. Dos dez amigos que ele começou a injetar heroína com uma década atrás, sete estão mortos.

Ao contrário da heroína, onde o hit pode durar várias horas, um alto krokodil só dura entre 90 minutos e duas horas, diz Zhenya. Dado que o processo de “cozimento” leva pelo menos meia hora, sendo um viciado em krokodil é basicamente um trabalho de tempo integral.

“Eu me lembro um dia, nós cozinhamos para três dias seguidos”, diz um dos amigos de Zhenya. “Você não dorme muito quando você está em krokodil, como você precisa para acordar a cada duas horas para uma outra batida. No momento em que estava cozinhando-o no nosso lugar, e muitas pessoas vieram e acamparam dentro Para três dias que não parava de fazer isso. No final, todos nós cambaleou para fora amarela, exaustos e fedorentos de iodo. ”

Em Tver, a maioria dos usuários krokodil injetar a droga somente quando ficar sem dinheiro para a heroína. Assim que eles ganham ou roubar o suficiente, eles vão voltar para a heroína. Em outras regiões mais isoladas da Rússia, onde a heroína é mais caro e as pessoas são mais pobres, o problema é pior. As pessoas se tornam viciados em tempo integral krokodil, dando-lhes uma expectativa de vida de menos de um ano.

Zhenya diz que todo viciado única que ele conhece em sua cidade passou de heroína para krokodil, porque é mais barato e mais fácil de pegar. “Você pode sentir o quão repugnante é quando você está fazendo isso”, lembra ele. “Você está sonhando de heroína, de algo que se sente limpo e não como um veneno. Mas você não pode pagar, para que você continue fazendo a krokodil. Até que você morra”.

Alguns dos nomes desta história foram alterados.

 

Fonte:

http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.independent.co.uk/news/world/europe/krokodil-the-drug-that-eats-junkies-2300787.html&ei=HEbaTvK-POH00gGhsbSDDQ&sa=X&oi=translate&ct=result&resnum=2&sqi=2&ved=0CDcQ7gEwAQ&prev=/search%3Fq%3Dkrokodil%26hl%3Dpt-BR%26biw%3D1280%26bih%3D883%26prmd%3Dimvns

Pessoal, as cenas são fortes nesse vídeo abaixo:

Se não conseguirem abrir, o título no YouTube é:

Krokodil Drug (Rusia’s Disaster)A drug that eats junkies – Ma túy ăn thịt người ở Nga

É preciso fazer loguin com conta no gmail.

Desde já aviso, a coisa é pesda, não vejam de estômago cheio ou se tiverem aversão à putrefação em vida.

Se essa droga chegar no Brasil muitos terão saudades do crack, podem crer.

:-/

 
37 Comentários

Publicado por em dezembro 3, 2011 em Uncategorized

 

37 Respostas para “Krokodil:

  1. Adrian

    dezembro 5, 2011 at 11:06 am

    Posso te dar um conselho? Depois de jogar o texto original num site de tradução, dê uma lidinha para ver se o texto não perdeu o sentido.
    Tá ridículo isso.

     
    • Proftel

      dezembro 6, 2011 at 7:22 am

      Adrian:

      O texto é só pra dar uma noção aos que não dominam o inglês, a maioria do pessoal que frequenta esse espaço vai mesmo é no original.

      🙂

       
  2. surfando na jaca

    dezembro 4, 2011 at 12:16 pm

    Legal saber que o HRP só saiu para preparar as pescadinhas e que está tudo em paz com ele. Mas de santista virou curintiano??? Eu nem quero saber, sou rubro-negro e gosto de ver o Mengo ganhar.

    O Betão resumiu bem o perfil do FDA. Bom, lá veio de indiretas e nos chamando de “mantilha” (matilha de lobo??). Virou costureiro em Paris. Ora, tive um tempo grande de bobeira. Todo mundo escreve quando pode, FDA. Se me pagassem por escrita, depositaria na conta do Proftel. Mas louvo sua melhora social, a resposta foi educada no que consta para o Proftel. Estamos progredindo.

     
    • Proftel

      dezembro 4, 2011 at 12:31 pm

      Surf:

      Não foi só o FDA que melhorou, você também melhorou e muito!

      Talvez o “carma” desse espaço democrático faça isso com as pessoas, passamos a valorizar mais a argumentação em detrimento da violência verbal – se bem que umas porradas a gente sempre dá (hehe), o espaço está ficando cada vez mais intelectual e calmo, creio que é legal, muito legal.

      🙂

       
      • surfando na jaca

        dezembro 4, 2011 at 12:39 pm

        Não me provoque, Proftel.
        Falar em mortos, registro a morte ignorada pela imprensa de uma importante brasileira que conheci na universidade e que implantou os Cieps no Rio. Tá no blog do Altino Machado:

        domingo, 4 de dezembro de 2011

        Professora Yedda Linhares recomendava prudência ao aventureiro, audácia ao prudente
        Altino Machado às 8:59 am

        POR JOSÉ RIBAMAR BESSA FREIRE

        Professora Maria Yedda Linhares

        Alguns professores são que nem sumo de caju: deixam marcas indeléveis. Maria Yedda Linhares entrou em nossa sala do Curso de Jornalismo, na FNFi, em 1967, como um relâmpago. Deu duas ou três aulas, fulminantes e arrasadoras, que iluminaram nossas mentes, plantando nelas dúvidas – muitas, e certezas – algumas, o suficiente para se fazer amada per omnia saecula saeculorum. Ela tinha outras obrigações naquele semestre e nos deixou em excelente companhia com duas ex-alunas suas, que assumiram as aulas: Berenice Cavalcante e Valentina Rocha Lima. Voltou no final do ano para o ritual da prova oral.

        Foram duas ou três aulas de história contemporânea, mas ficou na lembrança a imagem da cangaceira cearense, amorosa e destemida, que nos abriu os olhos com seu verbo inflamado, seu saber comprometido, sua militância engajada. Ela ensinava história dentro e fora da sala de aula. Vivia e respirava história. Participou ativamente da luta contra a ditadura militar e pagou caro por isso. Num depoimento publicado em 1985, no livro “A Deformação da História”, organizado por J.L. Werneck da Silva, dona Yedda lembra os anos de chumbo na Faculdade Nacional de Filosofia, a FNFi velha de guerra,esquartejada no governo militar:

        – Seus professores e alunos foram perseguidos, alvo de inquéritos sucessivos. Muitos alunos foram expulsos. Eu mesma passei por seis inquéritos policiais-militares (IPMs), entre 1964 e 1966, sem indiciação, sem acusações formais, acusada apenas, por convicção, de desejar um Brasil melhor, uma melhor universidade.

        Na luta por um Brasil melhor, dona Yedda não se intimidou e, mesmo perseguida, continuou resistindo em várias trincheiras. No final de 1968, o Ato Institucional n° 5 – o famigerado AI-5 – acabou com o que restava de liberdade democrática: “A partir daí, outras atribulações: fui presa três vezes e, finalmente, a punição decisiva, jamais explicada, que me privou da cátedra, da liberdade de trabalhar no meu próprio país e de nele circular como cidadã. Ainda na prisão, fui convidada por iniciativa de Fernand Braudel e Jacques Godechot para lecionar na França”.

        Teve até carta de Jean Paul Sartre, dirigida ao ditador de turno, exigindo sua libertação. Ela saiu da cana no Brasil para ser recebida com todas as honrarias na França, aonde chegou – aux armes, citoyens! – no dia 14 de julho de 1969. Durante cinco anos, dona Yedda atuou como professora de história moderna e do Brasil, primeiro na Universidade de Paris-Vincennes e, depois, na Universidade Toulouse – Le Mirail. Foi homenageada com um abaixo-assinado, no qual centenas de alunos solicitavam sua permanência.

        Mas dona Yedda aproveitou a primeira abertura no Governo Geisel para regressar ao Brasil, em julho de 1974, quando foi trabalhar no Centro de Pós-Graduação em Desenvolvimento Agrícola da Fundação Getúlio Vargas. Lá, criou o Programa de História da Agricultura Brasileira e promoveu pesquisas inovadoras no âmbito da história agrária. Entre 1977 e 1980, comandou uma equipe de mais de 100 jovens pesquisadores em dez Estados da Federação. Tive o privilégio de ser um deles.

        Dona Yedda me buscou na Universidade Federal do Amazonas, onde era professor, para que eu coordenasse uma equipe local do Programa de Levantamento de Fontes para a História da Agricultura do Norte-Nordeste. Foi uma convivência frutífera. Com ela, continuamos aprendendo o valor do documento, a importância do arquivo e o papel da teoria na construção do conhecimento histórico. Numa das reuniões de equipe, em Fortaleza, ela ouviu atentamente minha comunicação sobre os livros de registro de terra, encontrados no Arquivo Público, e me deu um chega-pra-lá carinhoso, mas firme:

        – Não generalize, Bessa! Não seja precipitado! Os dados que você apresenta são ainda insuficientes para qualquer teorização. É preciso prudência e rigor. Quem corre o risco de levantar vôo nessas condições é um aventureiro, o que não é o seu caso.

        Era o meu caso. Foi gentileza dela. Quando o coordenador do Pará, Geraldo Mártires Coelho, professor da UFPA, apresentou em seguida os resultados do seu trabalho, baseado em uma documentação muito rica, ela recomendou:

        – Generalize, Geraldo! A teoria nos liberta. Excesso de prudência prejudica o historiador. Aliás – completou com humor – já que vocês dois são da Amazônia, por que não se juntam e se complementam?

        Era assim dona Yedda. Recomendava prudência ao aventureiro, audácia ao prudente, duas qualidades que soube cultivar nela e em seus alunos. Um de seus discípulos diletos, Francisco Carlos Teixeira da Silva, em recente artigo, a definiu com muita precisão: “Rebelde, teimosa, voluntariosa, humana e generosa. (…) Não era mulher de esperar. Agia. Muitas vezes na direção certa, guiada por seu instinto contrário a toda injustiça. Outras vezes era precipitada, nunca, contudo, injusta. No mais das vezes prejudicava a si mesma”.

        Um dia, vários professores de História da UFAM, ex-alunos meus, vieram de Manaus para um evento acadêmico no Rio. Manifestaram desejo de conhecer dona Yedda. Telefonei. Sempre disponível, ela marcou um encontro na praça da alimentação num shopping de Niterói, após suas aulas na UFF. Enquanto a esperávamos, discutíamos um livro sobre a ação dos jesuítas no Brasil. Ela chegou no meio da conversa, mas já veio atirando:

        – Esse livro é uma porcaria – disse, contundente, com aquele seu jeito desabusado. Fez-se um profundo silêncio e todo mundo me olhou. É que eu havia acabado de elogiar o livro, minutos antes de sua chegada.

        Senti-me, então, na obrigação de defender meu ponto de vista. Destaquei a contribuição do autor para identificar as estratégias de conversão usadas pelos soldados de Cristo e perguntei dela quais as críticas que fazia e o que lhe havia desagradado no livro.

        – Não sei. Não li – respondeu.

        Parecia aquela boutade de Oscar Wilde, que disse: “Jamais leio os livros que resenho para não me deixar influenciar pelo autor”. Acontece que ela conhecia muito bem o autor da obra em questão:

        – Comigo não tem essa coisa de dizer ‘o cara é um crápula, mas escreve bem, é um bom pesquisador’. Não leio obra de dedo-duro, de mau caráter. A vida é curta e tem muito texto interessante para ler. Não li, mas aposto que o índio, no livro dele, aparece como objeto e jamais como sujeito da história.

        Bingo! Sem haver lido, acertou. Para ela, o caráter era tudo. “A história conta hoje com um número maior de especialistas, mas caiu o nível dos cursos de graduação, a responsabilidade social não é mais a tônica no código de ética da profissão” – escreveu.

        Ela era aquele tipo de historiadora, apaixonada e apaixonante, cujo perfil foi traçado por Drummond num poema, um dos raros textos onde o adjetivo ‘rancoroso’ tem uma conotação positiva: “Veio para ressuscitar o tempo / e escalpelar os mortos / Veio para contar / o que não faz jus a ser glorificado / e se deposita, grânulo / no poço vazio da memória / É importuno / Sabe-se importuno e insiste / rancoroso, fiel”.

        Na minha defesa de tese sobre a história das línguas na Amazônia, logo no início fui interrompido pelo presidente da banca, Ivo Barbieri, que fez questão de registrar a chegada da dona Yedda, acompanhada de sua irmã Yonne Leite, as duas haviam chegado naquele momento, sem que eu tivesse percebido. Foi uma bela surpresa. Ela se sentou na primeira fila para ouvir a ovelha desgarrada e perdida, perambulando na fronteira da história, do jornalismo, da literatura, da sociolingüística, do indigenismo e de não-sei-lá-mais-o-quê. De repente, a simples presença dela ali me deixou seguro, protegido, talvez até prudente. Saber que ela estava lá, me tranquilizava.

        Dona Yedda (1921-2011) nos deixou nessa terça-feira, 29 de novembro, enrolada com a bandeira do Botafogo – time pelo qual torcia – conforme me informou uma de suas ex-alunas, Lia Faria, que prepara um documentário sobre ela. Defensora da educação para todos, pública, laica e de qualidade, dona Yedda implementou algumas de suas idéias quando foi secretária municipal e duas vezes secretária estadual de educação no governo Brizola.

        Procurei no dia 30 de novembro e nos dias 1º e 2 de dezembro a notícia de sua morte nos jornais. Nada. Apesar de ser uma figura pública, nem O Globo nem a Folha de S. Paulo registraram sequer uma linha. Muitos de seus alunos, admiradores e professores da rede pública de ensino não sabem de seu falecimento. Para o jornalão da família Marinho, dona Yedda não morreu. Essa foi uma das raras vezes em que, por vias tortuosas, coincidimos com a linha editorial das Organizações Globo.

        O professor José Ribamar Bessa Freire coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO).

         
        • Proftel

          dezembro 4, 2011 at 1:11 pm

          Surf:

          Post em homenagem à Prª. Maria Yedda Linhares!

          Excelente! Não precisava colocar o texto todo, eu mandaria ver só com o Link.

          🙂

           
  3. Proftel

    dezembro 4, 2011 at 12:11 pm

    Pessoal, há um Post acima sobre clima (o “start” na minha cabeça começou com um comentário do HRP sobre a chuva que tem caido aqui em Goiás).

    Creio interessante é.

    🙂

     
    • Proftel

      dezembro 4, 2011 at 1:46 pm

      Há outro Post que vale mais a pena, o da Prfª. Maria Yedda Linhares!

      🙂

       
  4. HRP LOVE AND MUSIC

    dezembro 4, 2011 at 10:13 am

    O Sócrates se foi!
    Judiou muito do corpo e não deu outra!
    Lamento que não esteja mais entre nós mas do outro lado logo logo será recepicionado pela turma do bem que está sempre pronta a tratar aqueles que daqui chegam antes do “tratado” no outro plano!
    Roberto o FDA é um tipo!
    Alex, sobre a policia militar, lamento mas a acho violenta demais.
    Mas , tá, não levei tiro no estomago!
    Surf, lamento mas hoje sou mengão!
    E agora as pescadinhas , que hoje serão fritas!
    Dia nublado, mas não chuvoso.
    Alex, tá chovendo pacas aí em Goiaz, ehin???

     
    • HRP LOVE AND MUSIC

      dezembro 4, 2011 at 10:14 am

      recepcionado!

       
    • Proftel

      dezembro 4, 2011 at 11:03 am

      HRP:

      Por aqui chove aos cântaros.

      No momento um “solzinho” mas, de mais ou menos um mês pra cá a coisa foi feia.

      O interessante é o vento frio (que detonou minha sinosite), esse ano está estranha a coisa.

      🙂

       
  5. robertão

    dezembro 4, 2011 at 8:25 am

    o Homem é fogo… dá uma volta imensa, cita freud e lacan, pra dizer no fim que não sabe nem quer saber…

     
    • Proftel

      dezembro 4, 2011 at 11:12 am

      Robertão:

      Interessante que nem se tocou que o objetivo maior era o novo tipo de droga e não o usuário em si.

      :-/

       
  6. HRP LOVE AND MUSIC

    dezembro 4, 2011 at 7:32 am

    Mais uma droga?
    Surf e Alex, ainda moro em Mogi, tenho o mesmo sítio, os tres cachorros e os filhos estudando e um já trabalhando.
    Confesso que o tempo anda curto mas as coisas melhoram aos poucos.
    De resto não há nada de errado comigo , a não ser que estou envelhecendo(como todos).
    Bom dia e VASCO!

     
    • Proftel

      dezembro 4, 2011 at 11:13 am

      HRP:

      Entre o dia 26 e o dia primeiro de janeiro estarei em Sampa, numa dessas você está na Baixada e a gente troca uma idéia.

      🙂

       
  7. FDA

    dezembro 4, 2011 at 3:36 am

    Caro Proftel,

    Visto que vc gostaria de ouvir o que o “FDA” pensa de seu post sobre o problema dos “usuários de heroína” na Rússia ou em outros países do mundo.

    Do meu ponto de vista, um post -informação é sempre interessante por que ele abre uma janela ao mundo onde o ou os comentaristas podem se debruçar e falar a vontade de suas impressões, dar opiniões…

    Esse tipo de exercício é interessante por que ele cria uma forma de sociabilidade virtual. Vc pode então falar de seus medos, anseios ou impressões com outros comentaristas e estes trocarem informações, conhecimentos diverso, etc …Faz parte do jogo interativo virtual!

    Freud ou mesmo Lacan diriam que as informações na net permitem ao internauta de darem liberdade a suas pulsões gregárias..Tem até aqueles que usam e abusam desta forma de sociabilidade virtual para formar uma “horde originaire” ou o que chamo aqui uma “mantilha” primitiva para submeter voluntariamente outros comentaristas a uma forma de dominação primitiva, politica, ideológica, neurotica e mesmo pessoal…Pior, tem até internautas-comentaristas que fazem de um outro comentarista seu “totem” pessoal…

    Aqui no seu blog tem alguns casos, e eles se reconhecerão…

    Mas voltando ao assunto “usuários de heroína” na Rússia, como vc deve saber, existe internautas que se interessam a todo tipo de informação. O problema é que como internauta, sou hiper seletivo com as informações que procuro e recebo.

    Na verdade, questões relativas a droga, usuários de droga na Russia ou em outros países do mundo, não fazem parte de meu universo informativo, não me dizem absolutamente nada..

    Quando vc colocar um post sobre outros temas implicando questões Jurídicas, Direitos Humanos, etc…Farei todo meu possível de fazer um comentário.. Meu tempo é muito precioso e quando escrevo um comentário é durante uma “pause” de trabalho…

    Até a próxima, compatriota… Coragem!

     
    • Proftel

      dezembro 4, 2011 at 11:06 am

      FDA:

      Grato pelo comentário mas, o assunto não versa só sobre usuários de droga na Russia, o cerne da coisa é o novo tipo de droga que está no mercado. O enfoque aqui não é o usuário e sim a droga nova, só isso.

      🙂

       
  8. robertão

    dezembro 3, 2011 at 10:43 pm

    poxa, proftel bagunçou a numeração!

     
    • Proftel

      dezembro 4, 2011 at 12:09 pm

      kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      “Trolei” o Robertão kkkkkkkkkkkkkkkkkk.

      Desculpe aí Robertão, não foi na intenção.

      🙂

       
  9. Proftel

    dezembro 3, 2011 at 10:33 pm

    Dezessete melhor kkkkk.

    hehe.

    🙂

     
  10. robertão

    dezembro 3, 2011 at 10:29 pm

    14 também não é bom… vou arrendondar para quinze…
    droga é uma forma de suicídio lento… no começo é uma beleza, depois que vira necessidade, acaba o prazer, aí, fufu-! fora esse lado criminal como bem lembrou o surf.

     
    • Proftel

      dezembro 3, 2011 at 10:32 pm

      Robertão:

      Bem lembrado, quinze!

      🙂

       
  11. Proftel

    dezembro 3, 2011 at 8:40 pm

    Bom, treze comentários dá azar prá um supersticioso como eu.

    Aqui vai o décimo quarto:

    Patroa já em casa, ela no note dela eu no meu, a bagaça lá em cima já meio que desconectada.

    Friozinho legal na terrinha, conversei com meu filho mais velho, deixei recado prô mais novo me ligar antes de terça-feira que é quando o cara chega, vou buscá-lo em Goiânia (segundo o mais velho, o mais novo estava no quarto com uma garota e pediu pra não ser incomodado….) coisas da vida…. kkkkk.

    Deixemos como está kkkk.

    Se não aparecer mais hoje é porque fui dormir.

    🙂

     
  12. surfando na jaca

    dezembro 3, 2011 at 8:12 pm

    Esse negócio de drogas é a porta para a criminalidade armada. Eu acuso mesmo quem faça uso delas como parceiro da violência urbana. Pois as drogas alimentam o tráfico de armas que é mais lucrativo do que o das drogas. Claro que o usuário deveria ser encaminhado para tratamento e ter apoio psicológico, mas quem compra essas merdas deveria ser também criminalizado pela responsabilidade social com a violência dessa guerra civil. Para mim, não tem nada de engraçado e nem dá onda. Dá é em violência, bala perdida e mortes.

     
  13. Proftel

    dezembro 3, 2011 at 7:00 pm

    Estamos pra receber uma Olimpíada e uma Copa do Mundo.

    A maioria esquece disso, trocentas mil pessoas virão prá cá, algumas de não tão boa índole.

    Será que nossos policiais estão preparados pra reconhecer essa droga?

    :-/

     
  14. surfando na jaca

    dezembro 3, 2011 at 5:51 pm

    Não drogo e nem furufumo. Sei lá desses trecos. No máximo fumei LSD e cheirei maconha.

     
    • Proftel

      dezembro 3, 2011 at 6:49 pm

      Surf:

      Não brinca com isso na Rede, se quiser até tiro esse comentário seu, é comprometedor.

      De boa.

       
      • surfando na jaca

        dezembro 3, 2011 at 8:05 pm

        KKKKKKK. O Proftel, depois que o FHC disse fumou mas não tragou, que tem meu comentário de errado? Sinceramente, não entendo desse assunto.

         
  15. surfando na jaca

    dezembro 3, 2011 at 3:52 pm

    Profterólis, não vou perder tempo com uma coisa dessas, pois não sou sádico, embora o FDA me acuse de tal. Creio que a Rússia é um país sombrio, igual a Inglaterra. Esses climas dão depressão e o uso de drogas deve estar relacionado a coisas assim. Não entendo muito desse assunto, mas existe um fator psicológico muito forte nisso. Uma pessoa querer se acabar dessa forma é sinal de que sofre de algum distúrbio psicológico. Entendo que se use drogas numa festa ou num excesso qualquer. Além disso, parece que todo mundo já fumou maconha, FHC, Clinton e Gabeira que o digam. As drogas também são muitas e diferentes. Vale o post como tema de debate.

     
    • Proftel

      dezembro 3, 2011 at 3:58 pm

      Surf:

      Deixo então?

      De boa. voto a favor assim como se não me engano do Patriarca da Paciência que também se chocou mas não sugeriu retirar.

      De boa.

      Fica a coisa aí por enquanto.

       
    • Proftel

      dezembro 3, 2011 at 4:26 pm

      Surf:

      A Baixada Santista é depressiva, 360 dias por ano com céu nublado, ambiente abafado. O que salva é o cheiro da maresia e o barulho das ondas. Nem por isso me matei ou droguei, nem meus filhos graças à Deus.

      Sadismo é outra coisa, o vídeo mostra uma realidade cruel do que faz essa maldita droga que tenho medo chegue no Brasil. De minha parte não entendo nem alguém usar drogas numa festa, tenho por mim consciência de que várias vezes me ofereceram e sempre recusei alegando já ser “doidão” com alcool e cigarro, sempre foi essa minha “desculpa” que sempre deu certo sem discriminação.

      Pode me chamar de “careta” ou o que for mas, fui forjado assim, ninguém taska.

      🙂

       
  16. Patriarca da Paciência

    dezembro 3, 2011 at 3:02 pm

    Realmente, Proftel,

    é uma das coisas mais tenebrosas que já vi.

    Profundamente chocante.

     
    • Proftel

      dezembro 3, 2011 at 3:10 pm

      Patriarca da Paciência:

      Estou na dúvida se deveria ter colocado esse post ou não, seja sincero, se você achar que não eu arranco ele de boa.

      Gostaria também de ouvir o HRP, o Surf, o FDA, o Colafina e o Robertão.

      Nunca postei uma coisa tão pesada (estou com a consciência pesada de ter postado isso).

      Se for de consenso eu tiro de boa, sem pestanejar, até agora estou na dúvida se fiz certo.

      :-/

       
      • Patriarca da Paciência

        dezembro 3, 2011 at 4:43 pm

        Tudo bem, Proftel,

        a coisa é realmente horrível mas já não somos nenhumas crianças.

        É uma consequência realmente terrível para os drogados.

         
        • Proftel

          dezembro 3, 2011 at 5:03 pm

          Patriarca da Paciência:

          Tive em mente só o alerta, só isso.

          Essa bosta pode chegar aqui daí fodeu!

          Até agora ninguém apresentou óbice mas continuo com a consciência pesada quanto a inserção desse Post.

          :-/

           
  17. Proftel

    dezembro 3, 2011 at 1:44 pm

    Pessoal:

    Fiquei impressionado com o poder dessa droga, apesar do vídeo extrapolar tudo que já vi em matéria de horror, nojo e indignação.

    Creio que devo compartilhar com vocês essa desgraça como um alerta afinal, é bom antecipar um troço desses para ficarmos alertas.

    Juro pra vocês que não tenho palavras pra justificar esse Post, bem poderia passar batido mas, não me perdoaria se alguns de vocês viessem comentar daqui meses ou anos sobre algum conhecido, parente ou até filho usando um troço desses e vendo cair pedaços de carne num futuro próximo.

    O alerta sobre a droga está aí, infelizmente.

    :-/

     

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