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OPERAÇÃO MORDAÇA – CAPÍTULO I

04 abr

Ainda estava escuro, quando às 6 horas da manhã, do dia 29 de fevereiro de 2012, a mansão de luxo, na Rua Cedroarana, Quadra G-3, Lote 11, no Residencial Alphaville Ipês, em Goiânia, de propriedade do governador de Goiás Marconi Pirillo até 2010, foi invadida pela “swat” da Polícia Federal. Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso numa ação cinematográfica. O arrombamento da porta da sala e a chegada dos agentes federais ao quarto de Carlos Cachoeira coroava a Operação Monte Carlo.

Cachoeira, como é chamado, acordou assustado. No corredor, a sua prisão era assistida pela fresta da porta por uma criança de 12 anos, sua enteada, e pela esposa, Andressa. O delegado que comandava a operação pediu que o contraventor abrisse o cofre, mas Cachoeira argumentou que não sabia o segredo. Só Andressa tinha a senha. A polícia entrou no quarto e exigiu que o cofre fosse aberto. Imediatamente a esposa de Cachoeira mostrou o que havia guardado em segredo: joias, inclusive de família, uma quantia em dinheiro de um imóvel vendido por Andressa, documentos e alguns DVDs de conteúdo ainda não revelado.

O delegado espalhou sobre a cama todas as joias, a maioria herança de família, principalmente dos avós e do ex-marido de Andressa Wilder Morais, atual suplente do senador Demóstenes Torres (DEM-GO). A esposa do contraventor pediu ao delegado que deixasse as joias e que não invadisse o quarto que sua filha dormia. O pedido foi atendido. Cachoeira foi levado pela polícia, enquanto a criança atônita tentou ir ao seu encontro, sem entender o que se passava. Até este momento, Andressa estava forte. Mas ao ver a filha, a esposa de Cachoeira desmontou.

A Polícia Federal acreditou ter fechado a Operação Monte Carlo naquele momento, mas não sabia que ali começava um dos maiores escândalos da política brasileira. Cachoeira foi para a carceragem da PF em Brasília e preferiu o silêncio.

Em fevereiro de 2004, Carlinhos foi protagonista do escândalo Waldomiro Diniz, onde o assessor do ministro chefe da Casa Civil José Dirceu, foi denunciado por receber propina do esquema de jogo clandestino no país. Naquele momento, Cachoeira recebeu total apoio do PT comandado por Zé Dirceu, que rotulava o contraventor como “empresário do jogo”, e o Ministério Público como “aparelho repressor e conspiratório.”

O ministro da Justiça era Márcio Tomaz Bastos. O advogado, era Antônio Carlos de Almeida e Castro, o Kakay. Quem acusava era o mesmo Ministério Público, que agora também comanda a operação só que a serviço do PT .

As digitais do PT foram constatadas quando a Polícia Federal começou as investigações sob o comando da sede em Brasília. O Palácio do Planalto acompanhava tudo e aguardava o momento certo para contrapor o escândalo do Mensalão que será votado nos próximos meses pelo Supremo Tribunal Federal.

Cachoeira tinha um forte esquema de proteção na Polícia Federal de Goiás, onde contava com seu fiel escudeiro o chefe da inteligência da Polícia Federal. Cachoeira sempre foi um homem muito bem relacionado. Colaborador de todas as horas nas campanhas políticas, principalmente do PT. As investigações aconteciam e surpreendiam o comando da PF. Políticos de alto escalão se misturavam com empresários e contraventores.

Cachoeira foi transferido como preso comum para a Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Desembarcou na cidade sob um sol escaldante, de 42 graus, e foi levado para a cela 17 do presídio. Parecia que a situação tinha chegado ao fim, quando o contraventor foi chamado para raspar a cabeça e receber o tratamento de preso de alta periculosidade. Enquanto a máquina deixava à vista o couro cabeludo de Cachoeira, lágrimas de ódio rolavam pelo seu rosto. Naquele momento, revendo o filme da prisão de Fernandinho Beira Mar, o silêncio de Carlos Cachoeira se transformava em ira contra o PT. Somente no dia seguinte teve o direito de encontrar seu advogado Ricardo Sayeg.

Aí começava o desabafo de alguém que sabe muito e não vai evitar a vingança. Os responsáveis pela Operação Monte Carlo foram os petistas, o alvo; o líder de oposição Demóstenes Torres (DEM-GO) e a isca; o mesmo Cachoeira que no passado foi tão amigo do PT, e agora tão usado.

Com a chegada do senador Aécio Neves (PSDB-MG) no Congresso, era esperado que naturalmente o neto de Tancredo Neves fosse o líder da oposição ao Governo Dilma. Aécio recebeu algum recado e se mantem apagado no cenário político. Com isso, o líder do Democratas se destacou nacionalmente como o homem que lidera a oposição. Com o destaque, o senador passou a ser o inimigo número um do Partido dos Trabalhadores, que começou a caçada. Aécio Neves, taxado por ter telhado de vidro, trabalhou como bom mineiro, no silêncio, e assiste o colega de oposição servindo de boi de piranha. Nos bastidores se comenta que Aécio só irá assumir a liderança da Oposição no último ano do Governo Dilma evitando o desgaste prematuro.

Apesar do PT ter pesado a mão sobre Demóstenes Torres não foram encontradas provas que possam calar a voz da oposição. A relação do senador com Carlos Cachoeira é meramente social, como as mantidas com outros empresários do estado de Goiás. É menos íntima, por exemplo, do que a mantida entre o ex-presidente Lula e o seu churrasqueiro Jorge Lorenzetti, envolvido num escândalo de repasse de R$ 18,5 milhões em verba pública para sua ONG. Tanto barulho por conta de um fogão e uma geladeira, presente de casamento da esposa de Carlinhos para a esposa de Desmóstenes, amigas de longa data? Com certeza, há mais fartura à mesa do PT.

O exército de Cachoeira também foi desestabilizado. Funcionários públicos, empresários, políticos, policiais, familiares e pessoas que emprestavam o próprio nome para manter a força e o poder de quem hoje detém um arsenal capaz de mudar a história política do país foram presos ou desarticulados com a Operação Monte Carlo.

Cachoeira sempre foi um homem prevenido. Na era dos escândalos detonados dentro e fora dos Governos, o contraventor documentava todos os encontros com seus “parceiros”, em vídeo, áudio, contratos de gaveta, e as transações bancárias no Brasil e no exterior. Monitorava seus “sócios” através de agentes de informações. Durante todos esses anos que transitou nas altas rodas políticas e sociais do país, Carlinhos Cachoeira produziu vários documentários, capazes de mudar o curso da vida, principalmente de quem será julgado ainda este ano pelo Supremo, com a chance de ter o ministro algoz do Mensalão do PT, Joaquim Barbosa, na presidência da maior instância jurídica do País.

No encontro com o seu advogado Ricardo Sayeg, em Mossoró, Cachoeira avisou que a família e amigos tem nas mãos “esse” material que será despejado na imprensa nos próximos dias. Nesta sexta-feira, o contraventor começou a cumprir sua promessa. A Revista Veja, divulgou on line, vídeo no qual Carlinhos tem uma conversa com o deputado federal Rubens Otoni (PT-GO), na qual oferece R$ 100 mil para ajudar o petista e insinua já ter contribuído com a mesma quantia para o candidato em outra campanha.

Só um detalhe: Otoni nunca declarou a quantia ao Tribunal Regional Eleitoral e não consegue explicar o porquê disso..

A TRAJETÓRIA DE CACHOEIRA

Carlinhos Cachoeira cresceu no meio da jogatina. Seu pai fez parte do grupo de Castor de Andrade e levou para Goiás o conhecido jogo do Bicho. Seus irmãos difundiram pelo Estado o jogo e a chegada das máquinas caça-níqueis. Cachoeira, no entanto, se aperfeiçoou com projetos oferecidos em vários Estados batizado de On Line Real Time. Trata-se de um software que permite ligar as caça-níqueis diretamente à Caixa Econômica, buscando, aos moldes das Loterias, a legalização do jogo.

Carlinhos montou várias empresas para gerenciar o jogo nos Estados. E começou sua fortuna. Procurava grupos coreanos, italianos, espanhóis e vendia à vista, a exploração do jogo pelo país. Assim passou a recrutar políticos que viabilizavam a exploração dos jogos de azar pelos Governos estaduais.  Cachoeira sofisticou seus negócios a partir da implantação de seu novo sistema com o apoio do então governador de Goiás Maguito Vilella, padrinho do seu primeiro casamento. Carlinhos criou a empresa Gerplan no governo de Vilella.

Com a entrada do governador tucano Marconi Pirillo,  o empresário do jogo expandiu seus negócios para vários Estados, até bater de frente com os interesses do então ministro chefe da Casa Civil, o petista Zé Dirceu.

Waldomiro Diniz, assessor de Zé Dirceu na Casa Civil, trabalhava para a família Ortiz, forte concorrente de Carlinhos Cachoeira.  Os Ortiz lutavam pela permanência do jogo clandestino, pois reconheciam que o negócio era mais rentável. Carlos Cachoeira queria a legalização porque detinha toda uma estrutura profissional com tecnologia de hardware e software para a arrecadação do jogo pelo governo em tempo real  e com a garantia de desconto dos impostos.

Cachoeira então gravou Waldomiro pedindo propina para a campanha do PT em 2002. Com isso, o empresário do jogo usava o flagrante para combater a propina paga pela família Ortiz ao assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz, responsável também pelo pagamento do mensalão do PT dentro do Congresso Nacional.

Waldomiro era tido como uma águia, mas foi abatido pelo Ministério Público em pleno vôo. O escândalo fragilizou José Dirceu permitindo o ataque de Roberto Jefferson, que culminou com a cassação do mandato de deputado e a demissão da Casa Civil.

 

Cachoeira foi cercado de atenções pelo PT durante todos esses anos para evitar um escândalo maior em torno do financiamento de campanhas em vários Estados. Este roteiro, com conteúdo explosivo, desta vez virá à tona, pois Carlinhos planeja em sua solidão na cela 17 do Presidio de Segurança Máxima de Mossoró, como se vingar do PT que o abandonou e o colocou nesta situação.

Nesse arsenal explosivo tem várias empresas: Construtoras, Laboratórios, Bancos no Brasil e no Exterior. Na próxima edição, o Quidnovi vai mostrar, com documentos, como a máfia do jogo atua com o braço político nos cofres públicos.

Fonte:

http://www.quidnovi.com.br/novo/mino/detalhe.asp?c=387#

 
20 Comentários

Publicado por em abril 4, 2012 em Uncategorized

 

20 Respostas para “OPERAÇÃO MORDAÇA – CAPÍTULO I

  1. Proftel

    abril 5, 2012 at 12:26 pm

    Uai!

    Cadê o povo?

    :-/

     
  2. Proftel

    abril 5, 2012 at 10:56 am

    Portugal, Espanha, Irlanda e Grécia foram incluídos no Euro por questões geográficas. Sempre foram “terceiro mundo” por lá (assim como o sul da Itália). A coisa veio de cima para baixo.
    Houve uma euforia nesses países, várias localidades ficaram à míngua só com velhos a habitar, esqueceram a vocação agrícola e se lascaram.
    Plantaram grande parte da grana aqui comprando “teles” e comprando uns caras por aqui, investiram em armamento o que não deviam (e foi mais grana ao “norte”), encheram as cidades de gente e criaram uma bolha imobiliária indecente (onde foi o outro terço das benesses do Euro).
    Há uma saída (que é realocar toda essa gente de volta a seu espaço original) mas, jovens não ficam mais sem privada (vaso sanitário) depois que acostumam.
    hehe.

    Outro assunto (abaixo) e um comentário (acima):

    “Os 100 dias de Mariano Rajoy no governo da Espanha
    O saldo dos primeiros cem dias do governo do conservador Mariano Rajoy é uma greve geral, o castigo de um mercado que não tem nenhum tipo de paciência política, a perda de mais de meio milhão de votos nas eleições regionais, o aumento do desemprego e um puxão de orelhas de seus sócios europeus porque, segundo eles, não está fazendo bem o tema de casa, já que não fez todo o ajuste necessário no orçamento 2012 para por fim à crise. O artigo é de Oscar Guisoni.
    Oscar Guisoni
    Com apenas 100 dias de governo já deu para perceber que são os piores 100 dias enfrentados por um presidente desde o retorno da democracia, em 1977. Neste período, Mariano Rajoy já teve que enfrentar uma greve geral, o castigo insolente de um mercado que não tem nenhum tipo de paciência política, o desgaste inusitado nas eleições regionais em que perdeu mais de meio milhão de votos, o encorpado aumento do desemprego que supostamente ele iria domar, um enfrentamento latente com seus aliados do nacionalismo de centro-direita da Catalunha e até um puxão de orelhas de seus sócios europeus porque, segundo eles, não está fazendo bem o tema de casa, já que não fez todo o ajuste necessário no orçamento 2012 para por fim à crise.

    Neste contexto desolador, no qual os conflitos sociais e o descontentamento nas ruas crescem como espuma, o Partido Popular apresentou o orçamento para o presente ano. O ajuste é brutal e supera, com sobras, o primeiro que José Luís Rodríguez Zapatero realizou e que foi qualificado em seu momento como o “mais contundente da historia recente”. 27 bilhões de euros a menos que no ano passado, com o objetivo de reduzir o déficit fiscal de 8,5 para 5,3%. As prioridades do corte são uma declaração de princípios: a pesquisa científica perde 35%, o incentivo ao cinema outro tanto, haverá 166 milhões de euros a menos para bolsas de estudo, 28% a menos para o Plano Nacional de Drogas, 39% a menos para atender pessoas idosas e 21% menos para destinar à prevenção à violência de gênero, 42% de corte para a atenção à infância e 43% para os serviços sociais básicos. Já para a Casa do Rey só cortaram 2% e, como se o pão e circo fossem parte deste insólito programa, só cresce o gasto no item desportos, ao mesmo tempo em que se anuncia uma redução no destinado para cobrir o seguro desemprego, algo que ninguém sabe muito bem como se conseguirá, já que a destruição de empregos alcançou um ritmo sem precedentes nos últimos meses e tudo indica que não fará mais que aumentar.

    Às resistências que os ajustes despertam, Rajoy tem respondido com seu parco estilo galego: “Tem coisas que nem os próprios membros do partido gostam”. Mas não existem alternativas. Ao menos esse é o chavão com o qual a direita, acompanhada em coro pela quase totalidade da imprensa, tenta colar em uma opinião pública a cada dia mais cética e furiosa. A magnitude dos problemas políticos que esta vigorosa política de corte neoliberal traz consigo é difícil de quantificar: à greve geral mais contundente em décadas, soma-se um conflito sindical setorizado, detonado nos últimos meses. Mas não são os trabalhadores nem os jovens, entre os quais o desemprego alcança 50%, os únicos “indignados”. A magnitude dos cortes em infraestruturas e obras públicas – este ano será gasto a metade do que foi gasto em 2010, um ano já marcado pela crise – deixou contra o governo inclusive os conservadores da Convergencia I Unió que governam a Catalunha e que foram os mais duros profetas do ajuste regional nos últimos tempos.

    Os mercados respondem a tudo isto como sempre: pedindo mais. Na última segunda-feira a Bolsa de Madri deixou 2,71% no caminho e a taxa de risco que mede a confiança no país para honrar sua dívida pública disparou até os 364 pontos. As praças financeiras franzem o cenho diante da forte recessão que se avizinha e que elas mesmas contribuíram para criar e Berlim e Paris olham cada vez com mais desconfiança para Madri, em um ano no qual deverão desembolsar cerca de 60 bilhões de euros para permitir ao país honrar sua dívida. Para completar a piada macabra desta crise sem fim, a chanceler alemã Ângela Merkel se permitiu afirmar em um debate público que “se vemos que necessitamos gente na Alemanha e, na Espanha há 40% de jovens sem trabalho, não vamos trazer imigrantes de fora”.

    Tradução: Libório Junior

    Fonte:

    http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19912

     
  3. Proftel

    abril 5, 2012 at 9:37 am

    “Do Correio Braziliense

    Sorria, você foi filmado

    Brasília-DF – Luiz Carlos Azedo

    Correio Braziliense – 04/04/2012

    Conta um político goiano, daqueles que levam tudo na base da gozação, mesmo quando o próprio pescoço corre risco, que só aceitava conversar com o contraventor Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, na sua casa, para não ser filmado. “Assim mesmo, dentro da piscina, de sunga, com água pelo pescoço.”

    » » »

    Os arquivos de Cachoeira, cujos ilícitos alavancavam seus negócios de empresário bem posicionado na sociedade local, seriam tão ou mais generosos do que os grampos feitos pela PF, que já levaram à desgraça o senador Demóstenes Torres. E colocaram em xeque os deputados federais goianos Sandes Júnior (PP), Rubens Otoni (PT), Jovair Arantes (PTB) e Carlos Alberto Leréia (PSDB), além de Stepan Nercessian (PPS-RJ), amigo de Cachoeira, que também é goiano.

    » » »

    Há rumores de que Cachoeira estaria na iminência de se tornar réu colaborador, passando às autoridades mais informações do que as obtidas nas investigações, o que fecharia o cerco a políticos e empresas envolvidas em ilícitos. Até magistrados estariam enrolados nos seus grampos, alguns dos quais serviram de base para denúncias da imprensa, como as imagens (sem áudio) dos encontros do ex-ministro José Dirceu num hotel de Brasília.

    A distância

    A presidente Dilma Rousseff decidiu manter o Palácio do Planalto à distância regulamentar do caso Cachoeira. O líder do governo no Senado, Eduardo Braga, do PMDB-AM, trata o assunto como um caso de polícia. Quanto ao senador Demóstenes Torres, responderá por quebra de decoro na Comissão de Ética da Casa.”

    Fonte:

    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/cachoeira-estava-por-tras-da-invasao-do-nahoum

    hehe.

     
  4. Proftel

    abril 5, 2012 at 9:02 am

    “O condomínio goiano: a causa e o bolso:

    Eliane Gonçalves Pinheiro acaba de se demitir do cargo de chefe de gabinete do governador tucano Marconi Perillo (GO), premida por revelações da Polícia Federal. Entre um despacho e outro com o governador do PSDB, Eliane emitia gorjeios telefônicos para alertar parceiros e aliados do contraventor Carlinhos Cachoeira, alvos potenciais de operações vazadas por informantes do bicheiro dentro da própria PF. Eliane não era uma patativa solitária no Palácio das Esmeraldas.

    O secretário de Infraestrutura do governador tucano Marconi Perillo, Wilder Pedro de Morais, é o suplente de Demóstenes Torres (que acaba de se desfiliar do partido).

    Dizem as más línguas que a pasta da Infraestrutura do governo Perillo seria um anexo de negócios de Carlinhos Cachoeira. A fronteira embaralhada entre Wilder e Cachoeira tem precedentes. A ex-esposa de Wilder, Andressa Alves Mendonça, é a atual companheira de Carlinhos Cachoeira. Mas não só. Andressa tem uma loja de lingerie em um shopping de Goiânia: Demóstenes é um dos proprietários do centro de consumo.

    A triangulação se repete em espirais. A esposa original de Cachoeira, Andréa Aprigi, é dona do laboratório Vitapan, fabricante de genéricos, apontado como a mais importante fachada legal de negócios do bicheiro.

    Andréa também é sócia do ICF – Instituto de Controle de Fármacos, que certifica a qualidade dos medicamentos da Vitapan. O outro proprietário do IFC é Marcelo Limírio, sócio de Demóstenes num negócio educacional, a Nova Faculdade, em Contagem (MG).

    Demóstenes foi atuante lobista de Andrea e Limírio junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária -, em favor dos genéricos da Vitapan. Fez o mesmo junto à área da Justiça para ‘ajudar’ o amigo Cachoeira, interessado em intermediar a venda de duas mil tornozeleiras eletrônicas ao governo. O negócio foi bem sucedido. Por uma dessas ironias da história poderá servir diretamente a Cachoeira e Demóstenes.

    A intimidade de Demóstenes com a área de segurança vem de longe. Entre 1999 e 2002, o senador foi secretário de Segurança Pública de Marconi Perillo, ambos já unidos então por laços de amizade com o contraventor Cachoeira.

    Demóstenes foi companheiro de governo da deputada tucana Raquel Teixeira, secretária de Educação de Perillo naquele período.

    Em 2005, em depoimento na Comissão de ética da Câmara, Raquel acusou seu potencial adversário nas eleições municipais de Goiânia , Sandro Mabel (PMDB-GO) de oferecer-lhe propina para trocar de partido e integrar a base do governo. A oferta, assegurou a tucana, incluiria um fixo mensal.

    No mesmo depoimento, a ex-secretária de Perillo afirmaria que o Presidente Lula fora avisado pelo governador goiano sobre o comércio político na base do governo.

    Convocado pelos seus pares, o tucano Marconi Perillo enviaria então uma famosa carta à Comissão de Ética, jogando gasolina na campanha pelo impeachment de Lula. Na missiva, Perillo afirmava que avisara o Presidente, em março de 2004, sobre o que passou a ser conhecido como o ‘esquema do mensalão’.

    Coincidentemente, em meados de 2002, ainda n governo FHC, o amigo de longa data de Perillo e Demóstenes, Carlinhos Cachoeira havia atraído Waldomiro Diniz, então dirigente da Loteria do Rio de Janeiro, e só posteriormente, em 2003, nomeado assessor do ministro José Dirceu, na Casa Civil, para um encontro filmado, em que negociava propina com o bicheiro.

    O vídeo divulgado dois anos depois da gravação resultaria na demissão de Waldomiro do governo e na espiral de ataques contra o governo do PT. A depender de demos, como Demóstenes, e de tucanos, como Perillo, teria culminado no impeachment de Lula,em 2005/2006. O intento, como se sabe, foi frustrado. Reeleito em 2006, Lula deixaria o governo com 80% de aprovação. Oito anos depois, o condomínio goiano começa a ser desmantelado. Se as investigações forem a fundo, talvez ajudem a decifrar o que há de verdade e de manipulação política e midiática nesse que foi um episódios mais controvertidos da história recente do país e que ainda aguarda julgamento.

    Postado por Saul Leblon às 19:52”

    Fonte:

    http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=939

     
  5. Proftel

    abril 5, 2012 at 8:48 am

    Pessoal, uma coisa é certa:

    Dentro da hierarquia Federal, uma operação desse nipe antes de vazar passa pela Presidência da República.

    Se a merda garrou é porque foi autorizada a Operação daí a Presidenta, a cada novo escândalo de corrupção apresentar um índice de aprovação maior.

    Não pensem que o “eleitor médio” é burro, ele vê um corruptor desses finalmente em cana e sabe muito bem o que é a tal “hieraquia”, sabe muito bem que tudo poderia ser engavetado.

    Ultimamente não estão engavetando.

    hehe.

    Podem crer que vem mais merda por aí.

    🙂

     
  6. BRANCALEONE

    abril 4, 2012 at 11:45 pm

    trechinhos interessantes…
    ‘e do ex-marido de Andressa Wilder Morais, atual suplente do senador Demóstenes Torres (DEM-GO). ‘

    Pera aí!!! O ex marido da atual esposa do Cachoeira é suplente do Demóstenes? – Cara!! a mulher é chegada num corrupto!!

    ‘Cachoeira foi levado pela polícia, enquanto a criança atônita tentou ir ao seu encontro, sem entender o que se passava. Até este momento, Andressa estava forte. Mas ao ver a filha, a esposa de Cachoeira desmontou.’

    tadinha!!! Anos e anos se aproveitando da bandidagem do atual marido, vivendo no bem bom e ‘desaba’ ao ver a filhinha …

    Cara! Isso é um roteiro de filme!!

     
    • Proftel

      abril 5, 2012 at 8:35 am

      Há mais Compadre, a Subsecretária de Educação do Estado aqui da cidade é a ex-sogra do Cachoeira (que a boca miúda comentam que investiu 30 milhões na campanha do atual governador). Quando essa dona entrou tirou o máximo de funcionários efetivos que conseguiu e colocou contratados no lugar (eu mesmo como Técnico de Informática a sete anos lá fui tirado para colocarem um “contrato” que nem sabe a diferença entre um alicate e uma chave phillips).
      Há mais, muito mais coisa para falar mas não por aqui senão me lasco.
      hehe.

       
      • Proftel

        abril 5, 2012 at 9:22 am

        Compadre Brancaleone:

        Há outras “coisinhas interessantes” aqui por exemplo:

        Nunca entendi o tanto de carros importados de luxo rodando (até parece “Florianópolis” do Cerrado), residi perto d’uma escola particular onde via todo dia uma criança ser levada por uma Ferrari amarela. Outra coisa é o tanto de caras “profissão-marido” que há por aqui (as donas trabalham e os caras ficam em casa); O tanto de lojas onde não entra ninguém; O tanto de “igrejas” (lecionei numa escola onde, em duas quadras no entorno do perímetro haviam 11 (onze!) “igrejas”); O tanto de “duplas sertanejas” (se bem que há uma piada que explica isso: é só juntar “dois cornos”).

        hehe.

         
  7. Patriarca da Paciência

    abril 4, 2012 at 7:17 pm

    E mais uma coisinha, Brancaleone,

    eu queria e continuo querendo, mais e mais democracia.

    E é com muita democracia que iremos derrotar Carlinhos Cachoeira, Demóstenes Torres, revista Veja e todas as demais “entidades” que infestam o Brasil.

     
  8. Brancaleone, Broncão para os chegados...

    abril 4, 2012 at 6:44 pm

    Ué!? não queriam democracia?
    Aproveitem.

     
  9. Patriarca da Paciência

    abril 4, 2012 at 5:56 pm

    Mas de uma coisa ninguém duvida – esse tal de Carlinhos Cachoeira é memo um espanto. O cara transforma Al Capone num simples aprendiz.

    Não tenho notícias, em todo o mundo, de um bandido que tenha chegado tão longe!

     
    • Brancaleone, Broncão para os chegados...

      abril 4, 2012 at 6:48 pm

      Bandido?
      O cara soube se cercar de “assessores” políticos dos bons.
      E porque só ele é bandido?
      Toooodos os políticos que estão na folha de pagamento dele são o que?
      Se vivêssemos num pais ideal e perfeito – ou pelo menos um pouco mais justo que o Brasil – Cachoeira e os que com ele mantem relações estariam todos presos.
      E o Nercesian? quer dizer que voce pode ter amigo criminoso sendo político e tudo bem?
      Mas nem vou criticar o Cachoeira.
      Não me sinto no direito de criticar alguem que faz o que EU faria se estivesse no lugar dele

       
      • Patriarca da Paciência

        abril 4, 2012 at 7:09 pm

        Brancaleone,

        esta é a grande praga que jogaram contra o Brasil e que o atormenta até hoje, ou seja, “eu faria o mesmo se estivesse no lugar dele”.

        Outra praga terrível e horrorosa, ” eu quero mais é que você seja safado para que eu possa ser safado também”.

        Meu caro Brancaleone,

        a grande maioria das pessoas não são assim.

        “Em situações extremas, toda carne se trai”, ou seja, todos nós somos fracos e pecadores, sujeitos às muitas tentações.

        Mas como já falei antes, e volto a repetir, a grande maioria das pessoas paga as suas contas, cria seus filhos e os educam da melhor maneira possível, convivem bem com seus vizinhos, respeitam seus amigos e parentes, ou seja, como dizia Voltaire, “ouso declarar que a humanidade não é tão perversa assim”.

        No fundo, pessoas que se decepcionam com alguma coisa tendem a generalizar suas decepções para a humanidade inteira.

        A “cura” começa quando a pessoa consegue particularizar os problemas que cada um apresenta e não apontar problemas particulares de cada um como se fossem “coisas de toda a humanidade”.

         
    • Proftel

      abril 5, 2012 at 10:02 am

      Patriarca da Paciência:

      Isso vem de longe, conheço gente que morava perto de onde era a “Madeireira Cachoeira” na década de 80.

      Imagine um cruzamento de avenida com rua:

      A nordeste numa esquina estava um enorme terreno da madeireira (onde hoje há um condomínio de apartamentos), a sudoeste está uma das casas onde a PF (no mesmo horário que em Goiânia) entrou – e achou coisas embaixo da caixa d’água; A noroeste um terreno ainda baldio e a sudoeste a primeira casa do cachoeira (e onde reside a ex-sogra). Tudo isso fica a menos de vinte minutos a pé d’onde moro.

      hehe.

       
  10. Patriarca da Paciência

    abril 4, 2012 at 5:41 pm

    Proftel,

    tomei a liberdade de procurar o site no google, já que não consegui abri-lo no post que você colocou.

    coloco o link aqui na tentativa de que possa ser aberto.

    Minha ponião sobre o texto é que traz algumas verdades, mas que também traz muitas coisas que são apenas opiniões.

    http://www.quidnovi.com.br/novo/mino/detalhe.asp?c=387

     
    • Proftel

      abril 5, 2012 at 8:40 am

      Patriarca da Paciência:

      Seguinte, aqui em casa abre direitinho no Chrome, o link está certo (acabei de clicar no seu atalho acima e abriu).

      Se estiver com dificuldade, abra o Google e digite ” OPERAÇÃO MORDAÇA – CAPÍTULO I “, pode crer que o texto hoje está mui divulgado, não há mais como os caras fecharem a porteira.

      🙂

       
  11. Patriarca da Paciência

    abril 4, 2012 at 5:28 pm

    “Em fevereiro de 2004, Carlinhos foi protagonista do escândalo Waldomiro Diniz, onde o assessor do ministro chefe da Casa Civil José Dirceu, foi denunciado por receber propina do esquema de jogo clandestino no país. Naquele momento, Cachoeira recebeu total apoio do PT comandado por Zé Dirceu, que rotulava o contraventor como “empresário do jogo”, e o Ministério Público como “aparelho repressor e conspiratório.”

    Caro Proftel,

    outro grave erro de informação.

    José Dirceu apoiando uma operação contra si mesmo?

    É algo que realmente não dar para entender.

     
    • Jose Mario HRP

      abril 5, 2012 at 6:09 am

      Patriarca, na oposição tem parvo para todo tipo de elucubrações, ve só o Branca , que acredita até em duende vestido de vermelhinho e estrelinhas brancas!

       
    • Proftel

      abril 5, 2012 at 8:31 am

      Patriarca da Paciência:

      Naquela época o jogo (os bingos) funcionavam através de liminares, centenas estavam abertos e operantes portanto, o cara era considerado sim, um “empresário do jogo”.

      🙂

       
  12. Patriarca da Paciência

    abril 4, 2012 at 5:25 pm

    Meu caro Proftel,

    “Apesar do PT ter pesado a mão sobre Demóstenes Torres não foram encontradas provas que possam calar a voz da oposição. A relação do senador com Carlos Cachoeira é meramente social, como as mantidas com outros empresários do estado de Goiás”

    Há aqui uma grave erro de informação. Conversas gravadas e mostradas em telejornais por todo o Brasil, apontam Demóstenes Torres como sócio mojoritário de Carlinhos Cachoeira, do qual fala e trata como “professor”.

    Já há várias declarações de senadores com o mesmo tom, ou seja, Demóstenes Torres não é apenas amigo e sim sócio de Carlinhos Cachoeira.

     

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