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Cronicas de um Imigrante:

09 maio

Sempre e interessou a opinião dos que vieram de fora sobre o Brasil.

Esses dias encontrei um jornalista português (João Almeida Moreira) que mora em Sampa e escreve numa página em Portugal, gostei muito do que li, aqui vai uma “palhinha”:

São Paulo é uma vertigem

02/05/2012 | 02:27 | Dinheiro Vivo

Há confiança, há investimento, há oferta, há procura, há comércio, há consumo, há cultura, há diversão, há reais, há dólares, há euros, há ienes. Descubra o que falta à economia de Sampa, a capital do Hemisfério Sul

Numa reportagem de televisão, um jornalista mostrou às câmaras notas de reais, de euros, de ienes e a célebre “hundred dollar bill” com a face de Benjamin Franklin para ilustrar como em São Paulo circula dinheiro de todo o mundo, de todos os valores, de todas as línguas. Em São Paulo há de tudo, economicamente falando, e em doses vertiginosas: confiança, investimento, consumo, diversão. Não falta quase nada.

São Paulo é a maior cidade do hemisfério sul: são 10 milhões de habitantes, só o município, 19 milhões de área metropolitana e 29 milhões de área metropolitana expandida.

É a capital financeira e comercial da América Latina. Tem o décimo maior PIB do mundo e sedia 17 dos 20 bancos do Brasil e oito das dez principais corretoras. Acolhe metade das maiores empresas privadas brasileiras e 63% das multinacionais no país.

Seis dos sete mais acessados portais de internet são editados na cidade, fazem-se 900 mil transações de cartão de crédito por dia, tem a maior frota de helicópteros do mundo a seguir a Nova Iorque e é aqui que estão o maior centro comercial da América Latina mas também o maior hospital.

Numa cidade servida por quatro aeroportos, realiza-se um evento a cada seis minutos, entre eles a Virada Cultural (24 horas seguidas de espetáculos de rua), que atrai quatro milhões de pessoas, ou a maior parada gay do mundo, com média de 3,5 milhões por ano.

Em São Paulo, serve-se um milhão de pizzas por dia, formam-se 900 feiras de rua a cada fim-de-semana e há espalhados de Leste a Oeste mais de 30 mil restaurantes de 52 cozinhas diferentes, o que equivale a dizer que se pode mudar de tipo de gastronomia todas as semanas do ano.

Existem 160 salas de teatro, 260 de cinema, 110 museus, 300 salas de espetáculos, sete estádios de futebol e um autódromo internacional.

No entanto, há paulistanos (gentílico da cidade, diferente de paulista, gentílico do estado) que gastam oito horas por dia em transportes, quatro para ir para o emprego, outras quatro para voltar. Para ir de um ponto a outro da cidade é quase sempre necessário utilizar o tridente de transportes “ônibus-trem-metrô”. E para percorrer 30 quilómetros de automóvel perde-se em média três horas mesmo tendo em conta que existe “rodízio” – carros com matrícula terminada em 1 e 2 não podem circular nas horas de ponta à segunda-feira e assim sucessivamente até sexta.

Porque a maioria dos paulistanos logicamente não tem os tais helicópteros e porque a ideia de desviar o transporte de cargas para os rios que banham a cidade, Tietê e Pinheiros, por agora não passa de um projeto de ficção científica, a solução dessa maioria é conformar-se, adaptar-se.

Não é invulgar duas amigas combinarem um café às 5.30 da manhã porque não sobra mais tempo vago na agenda; não é invulgar passar às 2 da manhã por uma rua da cidade e ver um ginásio cheio de gente “a malhar” porque não há outro tempo disponível. Não é invulgar marido e mulher comunicarem-se apenas de emprego para emprego via twitter (a língua oficial da cidade logo a seguir ao português) porque não há tempo para 140 carateres de diálogo frente a frente na tranquilidade do lar.

De que vale então haver tantos eventos, tanta oferta cultural e noturna se não há tempo para usufruir dela? Se escasseia a moeda mais valiosa do mundo, o tempo, de que vale circularem reais, euros, ienes e a “hundred dollar bill” com a face de Benjamin Franklin? Franklin, que hoje dá a cara a uma mísera nota de 100 dólares, teve tempo para ser um formidável inventor, estadista, jornalista, diplomata, xadrezista e para dizer um dia o mais simples tratado de economia da história: “time is money”.

Jornalista
Escreve à quarta-feira”

Fonte: http://www.dinheirovivo.pt/Emprego/Artigo/CIECO044168.html?page=0

 

 
2 Comentários

Publicado por em maio 9, 2012 em Uncategorized

 

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2 Respostas para “Cronicas de um Imigrante:

  1. Proftel

    maio 9, 2012 at 9:24 pm

    Já dei idéia uma vez e gostaria de sugerir de novo antes que a coisa fique feia:

    Portugual poderia muito bem largar o Euro de lado, virar um Estado Ultramarino do Brasil (seria o “27º Estado” Brasileiro).

    Só a parte que o FMI recebeu do Brasil como ajuda para ajudar a Europa talvez 1/10 avos seria necessária para quitar a dívida de Portugal e assimilar a territorialidade mandando prôs quintos dos infernos essa economia teutô-angla-franco tacanha.

    Partidos políticos se mesclariam facilmente por conta da língua, portos se abririam para acesso de produtos brasileiros à Europa, ferrovias poderiam ser construídas rapidamente sem ajuda dos chineses, os vinhos viriam pra cá, comida pra lá, gente instruída pra cá, mulatas pra lá.

    Já fomos assim: “Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves”, é só alterar pouco alguns documentos diplomáticos e voltariamos a ser a mesma coisa só que sem Rei e “Algarves”.

    Mudaria a cor do dinheiro e as esperanças.

    É assim que um filho cuida do pai na velhice.

    🙂

     
  2. Proftel

    maio 9, 2012 at 7:49 pm

    Outra das crônicas está aqui:

    http://www.dinheirovivo.pt/Emprego/Artigo/CIECO042988.html?page=0

    Em outras crônicas (aos que se interessarem sugiro abrir qualquer delas e ir “pegando” as mais antigas sempre na coluna da direita).

    Creio que li todas, o estilo dele é suave com muita percepção política (muito diferente do que o PD falava quando estava nos EUA).

    Espero que gostem.

    🙂

     

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